A conferência, que é voltada ao desenvolvimento executivo, saúde mental e habilidades de liderança para profissionais da música, prepara sua quarta edição em Los Angeles e, mais uma vez, destaca a identidade de cada participante e o potencial empreendedor. Além dos crachás dos participantes não revelarem que cargos ocupam em empresas, a conferência segue priorizando a presença de profissionais recém-demitidos do setor, que podem acessar o evento de forma gratuita.
Identidade pessoal deve emergir e ser conhecida antes do perfil profissional
Em entrevista à revista Billboard norte-americana, publicada na segunda-feira (26), o fundador da jump.global destacou que é de suma importância que as pessoas conheçam sua identidade pessoal antes de traçar um perfil profissional. Isso é algo que ajuda na compreensão do próprio potencial e influi na conduta dentro das grandes corporações e na rotina de trabalho do dia a dia.
“Comecei a pensar nisso [no movimento de promover seu ‘nome e sobrenome’ como um negócio] aos 20 e poucos anos, mas acho que a COVID realmente trouxe isso à tona. Conversei com muitas pessoas e aprendi que, em uma área em que você é apaixonado pelo seu trabalho, ele pode acabar dominando sua identidade. Seja consciente ou inconscientemente, isso pode te afetar […]. Comecei a conversar com muitos executivos da indústria musical e percebi que existem diferentes níveis de identidade dentro de cada profissão”, refletiu Nick Maiale em antecipação à próxima edição do encontro, que acontece entre 8 e 10 de novembro, em Los Angeles.
O coach executivo diz acreditar que “a própria indústria da música está se tornando mais empreendedora, com mais empresas independentes do que nunca” e destaca a importância de uma cultura de empoderamento. “As pessoas precisam se enxergar como empresas. Dizemos a mesma coisa aos artistas, não é? Então, acho que devemos ser proativos nesse sentido. Não estamos tentando criar um ambiente onde todos digam: ‘A indústria é péssima; preciso me tornar consultor’, ou algo do tipo. Trata-se mais de empoderamento. É a realidade de uma carreira no entretenimento, nas artes e na música”, pontua.
“Pessoas que estão entre empregos ainda existem e são importantes para o ecossistema”, diz Maiale
Para a edição de 2026 da jump.global, a expectativa é de que 70% do público seja uma mistura de pessoas enviadas por suas empresas, pessoas que compram os crachás por conta própria e coaches executivos. Já os outros 30% dos participantes seriam ex-funcionários em busca de novas oportunidades.
À Billboard, o fundador da iniciativa explicou o por quê de essa parcela do público ser uma prioridade para a conferência. “Muitas das melhores pessoas da indústria musical — pessoas que a construíram ou desempenharam um papel crucial nela — não estão mais no mercado de trabalho tradicional de nove às cinco ou das nove às nove”, disse.
“Eles ainda são pessoas com sentimentos e, o mais importante, têm histórias. Sinceramente, podem estar em uma posição ainda melhor para se mostrarem vulneráveis e suas mentes podem estar muito lúcidas. Quando você mistura pessoas de mente clara com pessoas que ainda estão na correria da indústria musical, muitas coisas belas podem surgir disso […]. No fim das contas, pessoas que estão entre empregos ainda existem e são importantes para o ecossistema”, reflete Nick, que apontou para uma alta dos índices de empreendedorismo na indústria musical daqui a uma década.
Desenvolvimento pessoal e promoção de bem-estar e saúde mental não devem ser moldados por uma empresa
Na entrevista à publicação, Maiale levanta o ponto de que “quando as pessoas investem seu desenvolvimento profissional e pessoal em uma empresa, isso às vezes pode ser disfarçado de promoção da saúde mental e do bem-estar”. O profissional sugere que “na realidade, é preciso uma abordagem mais proativa para o desenvolvimento”.
“Quero deixar claro que existe sofrimento mental causado pela indústria da música, e também existem problemas de saúde mental que já existiam antes de as pessoas entrarem nesse ramo. Nossa abordagem é ajudar as pessoas a se tornarem líderes mais eficazes, a lidar com atritos no ambiente de trabalho, a se comunicar com diferentes tipos de interlocutores e a compreender a neurodivergência. Ao fazer isso, seu bem-estar no trabalho pode melhorar”, pontua ele em nome da jump.global.

Esses pilares sobre os quais Maiale jogou luz moldam, inclusive, uma reformulação na própria estruturação da jump.global. A próxima conferência será a última sob o formato já conhecido antes de uma transição para uma comunidade de membros ativa pelo ano todo. “Em vez de exigir que as pessoas viajem até Los Angeles, levaremos os eventos até as cidades delas por meio de um modelo de assinatura”, antecipou o executivo.
A ideia é promover “espaços para curiosidade e crescimento”, nos quais estejam reunidos membros para debater sobre temas relacionados à autoliderança e ao desenvolvimento profissional e pessoal.
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