PUBLICIDADE

Keffe D é condenado pela morte de Tupac Shakur

Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, foi considerado culpado nesta segunda-feira (31) pelo assassinato em primeiro grau do rapper Tupac Shakur. O veredito foi anunciado por um júri em Las Vegas, nos Estados Unidos, quase 30 anos depois da morte do artista, em um dos casos mais conhecidos e duradouros da história do hip-hop. […]

Keffe D é condenado pela morte de Tupac Shakur


Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, foi considerado culpado nesta segunda-feira (31) pelo assassinato em primeiro grau do rapper Tupac Shakur. O veredito foi anunciado por um júri em Las Vegas, nos Estados Unidos, quase 30 anos depois da morte do artista, em um dos casos mais conhecidos e duradouros da história do hip-hop.

Davis foi condenado por homicídio em primeiro grau com uso de arma mortal. Ele era a única pessoa formalmente acusada pelo assassinato de Tupac e, segundo a acusação, teria organizado o ataque e fornecido a arma utilizada no crime, embora não seja apontado como o responsável pelos disparos.

O júri chegou à decisão após menos de três horas de deliberação, depois de semanas de julgamento e depoimentos sobre os acontecimentos que antecederam a morte de Tupac. A condenação representa a primeira decisão judicial responsabilizando alguém pelo assassinato do rapper.

Davis agora aguarda a sentença, marcada para 13 de outubro de 2026, às 10h30. Ele pode ser condenado à prisão perpétua.

O que aconteceu na noite da morte de Tupac

Tupac Shakur foi baleado na noite de 7 de setembro de 1996, em Las Vegas. O rapper estava em um BMW dirigido por Marion “Suge” Knight, cofundador da Death Row Records, quando um Cadillac branco se aproximou e os ocupantes abriram fogo.

Tupac foi atingido por vários disparos. Suge Knight também ficou ferido, mas sobreviveu. O rapper morreu seis dias depois, em 13 de setembro de 1996, aos 25 anos.

A investigação apontou que o ataque poderia estar relacionado a uma briga ocorrida poucas horas antes, quando Tupac e integrantes de seu grupo agrediram Orlando “Baby Lane” Anderson, sobrinho de Davis, dentro de um cassino em Las Vegas.

Para os promotores, a agressão desencadeou uma retaliação. A acusação sustentou que Davis reuniu integrantes de seu grupo, conseguiu uma arma e saiu à procura de Tupac naquela mesma noite.

Anderson foi apontado ao longo dos anos como o principal suspeito de ter efetuado os disparos, mas nunca foi acusado formalmente pelo assassinato. Ele morreu em 1998.

O papel de Keffe D no assassinato

A acusação não sustentou que Davis tenha puxado o gatilho. O argumento apresentado aos jurados foi de que ele participou da organização do crime e forneceu a arma utilizada no ataque.

Essa distinção foi importante durante o julgamento. Pela legislação de Nevada, uma pessoa pode ser responsabilizada por homicídio mesmo sem ter sido o autor dos disparos quando participa da organização ou facilita a execução do crime.

Os promotores afirmaram que Davis ocupava uma posição de liderança dentro dos South Side Compton Crips e tinha autoridade para autorizar uma ação como aquela. A promotoria também apresentou relatos de que ele estava no Cadillac de onde partiram os disparos.

As próprias declarações de Keffe D foram usadas contra ele

Um dos pontos centrais do julgamento foram declarações feitas pelo próprio Davis ao longo dos anos.

A promotoria apresentou entrevistas, gravações e trechos da autobiografia Compton Street Legend, publicada em 2019, na qual Davis relatou sua participação nos acontecimentos daquela noite.

Segundo os promotores, Davis já havia admitido em diferentes ocasiões que estava no Cadillac durante o ataque e que havia fornecido a arma utilizada no crime. A acusação utilizou essas declarações para sustentar que ele não estava apenas presente, mas participou ativamente da organização da emboscada.

Ao longo das décadas, Davis também falou publicamente sobre o assassinato em entrevistas, tornando-se uma das principais fontes de informações sobre o que teria acontecido dentro do carro naquela noite.

Defesa contestou as declarações

A defesa de Davis apresentou uma versão diferente. Os advogados argumentaram que não havia evidências físicas suficientes ligando diretamente o réu ao assassinato e questionaram a confiabilidade das declarações feitas por ele ao longo dos anos.

Segundo a defesa, Davis teria exagerado ou alterado versões dos acontecimentos para ganhar notoriedade e dinheiro com entrevistas e com seu livro.

Os advogados também criticaram a investigação policial, apontando problemas na condução do caso e questionando a ausência de determinadas provas físicas. Davis se declarou inocente durante o processo.

A falta de evidências físicas foi um dos principais pontos explorados pela defesa, enquanto a promotoria sustentou que as próprias palavras de Davis, registradas em diferentes momentos e circunstâncias, eram suficientes para demonstrar seu envolvimento.

O julgamento começou em agosto de 2026 e revisitou acontecimentos que marcaram a história do rap nos anos 1990.

Mais de duas dezenas de testemunhas foram ouvidas, incluindo investigadores, ex-integrantes de gangues e pessoas envolvidas na apuração do caso. Ao longo do processo, os jurados também tiveram acesso a gravações e documentos relacionados às declarações de Davis.

A promotoria encerrou sua apresentação destacando que Davis teria criado as condições para que o ataque acontecesse. A defesa, por outro lado, insistiu que não havia uma prova física que colocasse Davis como responsável direto pelo crime.

Prisão aconteceu quase três décadas depois

Durante muitos anos, o assassinato de Tupac permaneceu sem nenhum acusado formal.

A investigação ganhou novo impulso décadas depois, especialmente por causa das declarações públicas de Davis. Em 29 de setembro de 2023, ele foi preso em Las Vegas e acusado de assassinato com uso de arma mortal.

A prisão transformou o caso, que permaneceu sem uma acusação durante quase 27 anos, em um processo criminal contra uma pessoa diretamente ligada àquela noite.

Davis se tornou, então, o único homem formalmente acusado pelo assassinato de Tupac Shakur.

Condenação encerra etapa histórica do caso

Com o veredito desta segunda-feira, Duane “Keffe D” Davis se tornou a primeira pessoa condenada pelo assassinato de Tupac Shakur.

O resultado não significa que todas as dúvidas sobre a execução do crime tenham sido esclarecidas, mas estabelece judicialmente a responsabilidade de Davis pela morte do rapper, de acordo com a decisão do júri.

A próxima etapa será a sentença, marcada para 13 de outubro de 2026. Até lá, Davis permanecerá sob custódia enquanto aguarda a definição da pena, que pode ser perpétua. A condenação acontece quase exatamente três décadas depois de Tupac ser baleado em Las Vegas e coloca um ponto decisivo em uma investigação que durante anos foi considerada um dos maiores mistérios não solucionados da história do hip-hop.



Fonte

Leia mais