O empresário e influenciador Wesley Alemão criticou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) após a repercussão de um vídeo gravado no Nordeste. Com mais de 10 milhões de seguidores, Wesley questionou a forma como a região foi retratada e contestou a tentativa de responsabilizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo sofrimento da população nordestina.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, o empresário direcionou críticas à narrativa apresentada pelo deputado, especialmente ao depoimento de uma senhora que afirma ter passado a vida inteira ouvindo Lula falar sobre os problemas da região. Para Wesley, a declaração desconsidera a trajetória política brasileira e o período em que diferentes grupos estiveram à frente do governo federal.
“Logo na largada já tem um bagulho ali que… Puta merda, né? Já começou com a tiazinha, com o papo de uns seus 70 anos. Que Deus abençoe a senhora, tia”, afirmou.
Na sequência, Wesley questionou a afirmação atribuída à mulher e fez uma comparação entre a idade dela e o tempo em que Lula esteve na Presidência da República.
“Você falou com essas palavras, tia. ‘Eu passei a vida inteira vendo o Lula falar…’ Não, calma. Espera um pouquinho. A vida inteira não, tia. A senhora tem 70 anos, eu acho. O Lula tá 20 no poder”, declarou.
O influenciador argumentou que o Brasil tem mais de cinco séculos de história e que o PT governou o país durante apenas uma parte desse período. Em sua avaliação, a responsabilidade pelos problemas históricos do Nordeste não pode ser atribuída exclusivamente aos governos petistas.
“O Brasil tem 500 anos. 300 e pouco era escravo. Sobrou mais 100 e pouco. A esquerda tá 20 anos. O resto todo, 100 e poucos anos, quem governou foram os caras”, disse.
Wesley também questionou o histórico de ocupação da Presidência da República por representantes da direita e da esquerda, usando a comparação para contestar a mensagem transmitida no vídeo.
“Quem teve mais presidente? O Brasil teve mais presidente quem? Direita ou esquerda? É fácil isso aí”, afirmou.
Em seguida, o empresário voltou a criticar a forma como o depoimento foi utilizado no conteúdo publicado por Nikolas Ferreira, ressaltando que sua contestação era direcionada à mensagem transmitida, e não à senhora que aparece nas imagens.
“Então, assim, a mensagem que o vídeo passa… Colocar uma senhora lá falando que passou a vida inteira e que envelheceu ouvindo o Lula é uma mensagem mentirosa. Com todo respeito a essa tia que fez esse vídeo”, declarou.
Wesley critica retrato do Nordeste e provoca Flávio Bolsonaro
Além de questionar a narrativa política do vídeo, Wesley Alemão criticou a representação do Nordeste como uma região marcada exclusivamente pela miséria. Para ele, esse recorte ignora outras realidades vividas pela população nordestina e não explica, por si só, os problemas sociais enfrentados historicamente.
“O Nordeste não tem só miséria, ele quer mostrar como se só tivesse isso. Não tem como culpar Lula pelo sofrimento no Nordeste”, afirmou.
O influenciador também direcionou suas críticas ao campo político ligado à família Bolsonaro e mencionou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao discutir a disputa pelo eleitorado nordestino. Wesley questionou a estratégia de comunicação adotada por políticos que buscam votos na região e defendeu que a aproximação com a população seja feita por meio de propostas concretas.
“Vai segurando o Nordestão aí, filhão. Porque achar que vai ganhar voto do Nordeste dessa forma aí… Fala pra você aí, segura, hein?”, declarou.
Na sequência, o empresário afirmou que o eleitorado nordestino terá força no cenário eleitoral e sugeriu que Flávio Bolsonaro buscasse uma conversa direta com a população, apresentando suas propostas e um plano de governo.
“Acho que ganharia se fizesse um vídeo chamando pra uma conversa franca. Com uma proposta, com um plano de governo. Entendeu? Conquistando o voto”, disse.
Wesley voltou a questionar a abordagem adotada no vídeo e afirmou que a tentativa de conquistar o eleitorado nordestino dessa maneira poderia provocar uma reação contrária à esperada.
“Esse tipo de vídeo aí… Você vai ver o exército dos caras vindo domingão, mano. Entendeu? E os caras vêm daquele jeito, mano”, afirmou.
Em tom enfático, o empresário comparou a força da mobilização nordestina à passagem de um veículo desgovernado.
“Nordestão vai vir como, mano? Que nem uma carreta desgovernada. Sai da frente, mano”, declarou.
Influenciador pede respeito ao resultado das eleições
Ao longo da manifestação, Wesley Alemão também falou sobre a participação dos eleitores nas eleições e pediu que a população compareça às urnas independentemente da região do país ou do candidato escolhido.
“Que Deus nos abençoe e nos proteja, nós todos. Seja lá você do Nordeste, do Sudeste, do Centro-Oeste… Domingão vai votar, mano. Todo mundo, vamos votar. Vamos votar”, afirmou.
O empresário ressaltou que cada eleitor deve ter liberdade para escolher seu candidato e defendeu que o resultado das urnas seja respeitado, independentemente de quem vença a disputa.
“Seja lá qual for o seu candidato, mano. Entendeu? Que seu voto seja válido, tá ligado? E quem for mais votado, que vença. E que quem perder, respeite o resultado”, declarou.
Wesley encerrou esse trecho da manifestação defendendo que o vencedor das eleições trabalhe para melhorar as condições do país, mencionando tanto o Nordeste quanto o Sudeste.
“E que quem vencer, faça algo, melhore esse país. Tanto no Nordeste quanto no Sudeste”, afirmou.
Durante o posicionamento, o influenciador também declarou apoio a Luiz Inácio Lula da Silva, entrando no debate político em torno da representação do Nordeste, da responsabilidade dos governos pelos problemas sociais e das estratégias utilizadas para conquistar votos na região.
Wesley Alemão cita a própria mãe ao questionar críticas a Lula
Para reforçar seu argumento, Wesley Alemão também recorreu à própria história familiar e relembrou as condições em que vivia com a mãe, em uma área próxima a um esgoto. O empresário afirmou que ela tem 65 anos e questionou como poderia atribuir a Lula a responsabilidade por todo o sofrimento enfrentado por ela ao longo da vida, considerando os períodos em que o petista não ocupava cargos no Executivo.
“Ó, eu morava aqui, com a minha mãe, aqui na beira do esgoto. Minha mãe tem 65 anos. Como que eu vou colocar a minha mãe sentada aqui pra minha mãe falar que passou a vida inteira ouvindo o Lula falar, que envelheceu ouvindo o Lula falar? Não tem como, eu vou estar mentindo se eu fizer isso”, declarou.
Wesley argumentou que, mesmo considerando cerca de 20 a 25 anos de governos de Lula, ainda restariam aproximadamente 40 anos da vida de sua mãe que não poderiam ser atribuídos à gestão do presidente. Para ele, a discussão precisa levar em conta quem governava o país e as diferentes esferas de poder durante os períodos anteriores.
“Porque minha mãe tem 65, o Lula estava 20 e pouco no governo. Quando minha mãe tinha 40, quase 50, 40 e poucos, ela estava aqui já sofrendo há 40, 50 anos. Quem colocou minha mãe pra sofrer aqui? Ou quem ajudou minha mãe nesses 40, 50 anos aqui? Não posso culpar o Lula, porque ele não era presidente, nem governador, nem prefeito e nem nada”, afirmou.
O empresário voltou a defender que a análise dos problemas sociais brasileiros considere o contexto histórico e os governos que passaram pelo poder antes das administrações petistas.
“Você pode ficar com raiva de mim, mas isso é fato. É matemática, 2 mais 2 é 4. Tipo assim, minha mãe tem 65. Vai, vou colocar 25 do Lula. Sobra 40”, disse.
Na sequência, Wesley citou os anos 1990 como exemplo e questionou quem estava na Presidência da República naquele período, ao relacionar a trajetória política do país às condições de vida enfrentadas por famílias em comunidades periféricas.
“Nos anos 90, foi os anos, tá ligado, o bagulho louco, os anos 90, mano. De 90 a 2000. Os anos 90 exatamente. 90, 91, 92, 93, 94, 95, 96, 97, 98, 99, 2000. Quem que era o presidente? Que eu nem sei, né, Fernando Henrique, não sei o quê”, declarou.
Wesley encerrou o raciocínio reiterando sua crítica à tentativa de responsabilizar Lula isoladamente pelo sofrimento da população nordestina e de moradores de favelas.
“Não tem como eu culpar o sofrimento do Nordeste, da favela, de ninguém. Não tem como eu culpar o Lula, do sofrimento dessa. Não tem como, pessoal”, concluiu.
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