No último dia 16, a distribuidora DistroKid havia afirmado, em declaração à Billboard, que cooperaria em processo que a Universal Music Group e a Sony Music moveram contra o Suno, um gerador de músicas por IA. Veio à tona, neste início de semana, que a UMG, a Sony e a DistroKid declararam, em conjunto, estar “trabalhando em uma resolução” para o caso, o que consta em documento apresentado junto à Justiça de Manhattan, em Nova York, no último dia 28. A UMG e a Sony haviam solicitado que a distribuidora entregasse documentos com dados que poderiam colaborar no processo contra o Suno.
O processo, que diz respeito ao impacto negativo das músicas geradas por IA pelo Suno à cadeia produtiva da música, ganhou atualização no último dia 27. Na ocasião, advogados de ambas as partes envolvidas assinaram um documento que foi aprovado no dia seguinte pelo juiz distrital dos Estados Unidos, Arun Subramanian. O portal Music Business Worldwide teve acesso à integra do documento.
Apesar de no mês passado a DistroKid ter aproveitado a solicitação da UMG e da Sony para endossar seu compromisso com a transparência de seus processos internos, não teria ficado claro que tipo de “resolução” a distribuidora estaria acordando junto às gravadoras que moveram o processo. A UMG e a Sony Music pediram que os documentos solicitados fossem entregues até 30 de outubro.
A lista de exigências da UMG e da Sony à DistroKid
O que a UMG e a Sony buscam, em suma, é provar o prejuízo que as músicas geradas por IA causam no mercado, sobretudo ao trabalho humano por trás da criação de músicas em processos que dispensam o uso massivo de Inteligência Artificial. O processo das gravadoras contra o Suno, que se encontra pendente em um tribunal federal em Massachusetts, já tramita desde 2024.
Conforme reportado pelo Music Business Worldwide em meados de outubro, as gravadoras estariam exigindo da DistroKid documentos que revelem a quantidade de gravações que a distribuidora entregou às plataformas, a quantidade de faixas que foram testadas para identificação do uso de IA, a quantidade de músicas que foram categorizadas como sendo geradas por IA, total ou parcialmente e, ainda, quantas dessas músicas foram atribuídas ao Suno, o principal alvo do processo.
Em outro momento da batalha judicial, o Suno havia se declarado sobre a iniciativa das gravadoras alegando que o treinamento de seus modelos é realizado a partir de gravações protegidas por direitos autorais, classificando a operação como de “uso justo por excelência”, que é o principal argumento que embasa a defesa da companhia frente às acusações da UMG e da Sony Music.

Processo alega que a DistroKid entregou quase 12 milhões de faixas a uma mesma plataforma em 2026
Um detalhe do documento do processo que chamou atenção afirma que a DistroKid teria sido a responsável por distribuir quase 12 milhões de faixas a uma só plataforma entre março e setembro de 2026. A UMG e a Sony querem, então, conhecer as nuances por trás desses números, sobretudo quanto desse montante são de músicas geradas por IA.
As gravadoras exigem relatórios que apontem o fornecedor, a capacidade de identificar a origem das faixas e as análises de precisão, o que inclui falsos positivos. As empresas também desejam saber o total de reproduções e royalties das gravações identificadas pelo modelo como possivelmente geradas por IA. Modelo esse que a DistroKid se referiu, em resposta legal à intimação, como um “modelo de previsão” de terceiros que utiliza para testar gravações quanto à geração por IA.
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