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Tyler, The Creator encerra Lollapalooza com show intenso, íntimo e à altura de uma espera de 15 anos

Foram 15 anos de espera — e oito deles marcados por uma frustração ainda recente, após o cancelamento de sua última vinda ao país. Quando Tyler, The Creator finalmente voltou ao Brasil, neste domingo (22), no Lollapalooza, não era mais o mesmo artista que havia passado por aqui em 2011 com o Odd Future. Era […]

Tyler, The Creator encerra Lollapalooza com show intenso, íntimo e à altura de uma espera de 15 anos

Foram 15 anos de espera — e oito deles marcados por uma frustração ainda recente, após o cancelamento de sua última vinda ao país. Quando Tyler, The Creator finalmente voltou ao Brasil, neste domingo (22), no Lollapalooza, não era mais o mesmo artista que havia passado por aqui em 2011 com o Odd Future. Era maior, mais completo e plenamente consciente disso.

Cerca de uma hora e meia antes do início do show, a movimentação já indicava que algo fora do comum estava prestes a acontecer. A pista foi sendo comprimida, centímetro a centímetro, até que a própria produção precisou intervir para abrir espaço. Havia uma sensação compartilhada de que aquele era um momento histórico, e ninguém queria assisti-lo de longe.

Tyler subiu ao palco às 21h40, dez minutos após o horário previsto, e não demorou a justificar a expectativa. A introdução com “Big Poe” funcionou como um gatilho coletivo. O primeiro grito veio engasgado, mas, dali em diante, não houve pausa. Em sequência, ele emendou uma abertura baseada em Chromakopia, com cinco faixas diretas, conduzindo o público por uma primeira camada de intensidade quase contínua.

Era um começo que já revelava a lógica do show: menos uma narrativa linear e mais um fluxo emocional, alternando picos de energia e momentos de introspecção. Ao longo da apresentação, Tyler equilibrou esse percurso com precisão.

Se de um lado havia a euforia de faixas como “St. Chroma” e “Rah Tah Tah”, do outro surgiam momentos mais contemplativos, como em “Noid” e “Like Him”, em que a vulnerabilidade do artista ganhava espaço. Essa oscilação, presente em sua discografia recente, encontrou no palco uma forma ainda mais evidente e quase física.

O espetáculo de Tyler, the Creator

O show não se sustentou apenas no repertório esperado. Houve cuidado em construir algo específico para aquele público. Tyler incluiu faixas menos recorrentes em suas apresentações, como “Ring Ring Ring” e “Tell Me What It Is”, além de “Best Interest”, raramente executada ao vivo. Essas escolhas funcionaram como um gesto de reparação simbólica, um reconhecimento direto da longa ausência.

Essa intenção também apareceu na forma como ele se relacionou com o público. Tyler passou parte do tempo conversando, improvisando, reagindo. Fez piadas, se perdeu em tentativas de falar português, provocou e foi provocado. Em determinado momento, apenas parou para observar a multidão à sua frente, como quem tenta assimilar a dimensão daquele retorno. Mesmo com a barreira do idioma, a comunicação era clara. Havia ali uma troca contínua, que ultrapassava o protocolo comum de shows em festivais.

No aspecto estrutural, a apresentação chamou atenção por uma escolha arriscada: Tyler ocupou o palco sozinho, sem banda, sem DJ visível e sem grandes elementos cenográficos. Depois de headliners que apostaram em estruturas grandiosas nos dias anteriores, o contraste era evidente.

Mas, longe de ser uma limitação, a performance se apoiou inteiramente no corpo, na movimentação e na presença de palco. Tyler dançou, correu, encenou, modulou a voz e construiu uma teatralidade própria, sustentando sozinho um espetáculo pensado para dezenas de milhares de pessoas. Era um show de um homem só, no sentido mais literal.

See You Again, Tyler

A reta final manteve a intensidade. “New Magic Wand” e “See You Again” conduziram o encerramento com o público completamente engajado, entre gritos, coros e uma sensação de exaustão coletiva. Quando deixou o palco, às 22h45, Tyler fez questão de transformar o último momento em agradecimento.

Citou nomes da música brasileira, reconheceu a importância cultural do país e tratou a apresentação como uma forma de retribuição. Não parecia um discurso ensaiado, mas uma conclusão natural de quem entendeu, ali, o peso daquele encontro. Ao fim, a impressão que ficou não foi apenas a de um show bem executado. Foi a de um “acerto de contas”.

Depois de tantos anos de ausência, Tyler, The Creator se colocou diante de um público que o acompanhou à distância e respondeu à altura, com um show direto, sem excesso de artifício e sustentado, acima de tudo, pela própria presença. E, diante do que se viu em Interlagos, a conclusão é simples: ele não deve demorar para voltar.

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