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Super Bowl LX entra no horário nobre da TV brasileira e reforça o peso do show do intervalo

O Super Bowl LX acontece neste domingo (08) cercado por uma atenção midiática maior do que a habitual para o evento, resultado de uma cobertura mais distribuída entre TV aberta, canais pagos, streaming e ações editoriais que colocam a música em primeiro plano. Se já faz décadas que a final da National Football League (NFL) […]

Super Bowl terá show de Bad Bunny


O Super Bowl LX acontece neste domingo (08) cercado por uma atenção midiática maior do que a habitual para o evento, resultado de uma cobertura mais distribuída entre TV aberta, canais pagos, streaming e ações editoriais que colocam a música em primeiro plano. Se já faz décadas que a final da National Football League (NFL) não é “apenas” sobre futebol americano, a edição de número 60 é mais do que nunca um acontecimento cultural, com o show do intervalo ocupando um espaço inédito na comunicação das emissoras – inclusive no Brasil.

A Globo preparou uma cobertura que envolve seu canal aberto, o Sportv, a nova Ge TV, o Multishow e o Globoplay, com diferentes equipes, formatos e horários. Na TV Globo, os melhores momentos da partida e o show do intervalo vão ao ar logo após o Big Brother Brasil, levando o Super Bowl para o coração do horário nobre. No Multishow, o show do intervalo será exibido ao vivo pela primeira vez, com apresentação de Guilherme Guedes, em uma aposta clara no diálogo com o público musical.

Os concorrentes também entraram no ritmo de reggaeton e salsa. A ESPN veiculou chamadas promocionais em que seus apresentadores aparecem diante de uma bananeira e de cadeiras brancas, referências diretas à capa do álbum “Debí Tirar Más Fotos”, de Bad Bunny. A escolha visual reforça como o imaginário do artista passou a organizar a comunicação do Super Bowl como evento pop.

A NFL, a música e a estratégia de imagem

O show do intervalo do Super Bowl nem sempre teve o peso que carrega hoje. Nas primeiras décadas do evento, a apresentação musical era ocupada principalmente por bandas marciais universitárias e atrações voltadas ao público local. A virada acontece nos anos 1990, quando a NFL passa a enxergar o intervalo como uma vitrine global. 

Em 1993, a apresentação de Michael Jackson marca um ponto de inflexão ao transformar o intervalo em um espetáculo pop pensado para televisão, audiência internacional e repercussão cultural. A partir dali, o show deixa de ser apenas um complemento do jogo e passa a ser tratado como um produto próprio, capaz de atrair público, patrocinadores e atenção midiática tanto quanto a partida em si.

Guilherme Guedes, apresentador do Multishow (Crédito: Divulgação)

Para Guilherme Guedes, apresentador do Multishow e Canal Bis, esse movimento está diretamente ligado à crise de imagem enfrentada pela NFL nos últimos anos, especialmente após o afastamento de Colin Kaepernick da liga, depois dos protestos contra a violência policial nos Estados Unidos.

“Eu vejo como um movimento muito consciente e direcionado da NFL para tornar o Super Bowl um evento ainda maior e mais mediático. Isso veio de um momento de crise de comunicação, especialmente depois da situação do Colin Kaepernick, que manchou muito a reputação da liga.”

Segundo ele, a entrada de Jay-Z na curadoria do show do intervalo foi decisiva nesse processo. Após um período em que artistas recusaram convites para o palco do Super Bowl, a liga passou a tratar a apresentação musical como um instrumento de reposicionamento simbólico. Isso levou o rapper a ocupar o posto de curador e produtor executivo do entretenimento da NFL, através da sua empresa Roc Nation. Jay-Z é  responsável pela escolha dos artistas, pela concepção do show do intervalo do Super Bowl e por projetos culturais ligados à liga, sem participação societária na NFL.

“Quando o Jay-Z assume, ele ajuda a transformar essa imagem da NFL. O Super Bowl, com toda a mídia que ele já tem, vira o melhor veículo possível para essa mudança de imagem acontecer.”

Essa leitura ajuda a entender por que o show do intervalo deixou de ser tratado apenas como entretenimento complementar e passou a ser um ativo estratégico. No Brasil, isso se reflete na forma como a cobertura foi desenhada, com chamadas próprias, transmissões dedicadas e apresentadores ligados diretamente ao universo da música. É o caso de próprio Guedes e de sua colega de emissora, Kenya Sade, enviada à Califórnia para acompanhar in loco a performance musical.

“É a primeira vez que a Globo transmite o Super Bowl na TV aberta, seguindo um movimento que já fazemos com os especiais de música dentro da grade. A gente quer começar a trazer pra esse nosso Brasil, que é tão diverso, esses grandes eventos que também acontecem lá fora. Muita gente talvez não saiba o que é a NFL, que inclusive já está no Brasil”, comenta Kenya em entrevista ao propmark.

Por que Bad Bunny ocupa esse lugar

Bad Bunny (Crédito: Eric Rojas)
Bad Bunny (Crédito: Eric Rojas)

A escolha de Bad Bunny para o Super Bowl LX está diretamente ligada ao momento que o artista vive na indústria musical. Ao longo de 2025, ele manteve uma presença constante no topo do streaming global, fechando o ano como o artista mais ouvido do mundo nas plataformas digitais, com dezenas de bilhões de reproduções acumuladas e uma média superior a 80 milhões de ouvintes mensais no Spotify.

Esse desempenho foi acompanhado por um reconhecimento institucional relevante. No último domingo, Bad Bunny venceu o Grammy de Álbum do Ano com “Debí Tirar Más Fotos”, além de levar o prêmio de Melhor Álbum de Música Urbana. A vitória consolidou o artista como um dos principais nomes da música contemporânea e marcou um momento histórico para a música em espanhol dentro da principal premiação da indústria.

Para Guilherme Guedes, o diferencial está na forma como Bad Bunny construiu essa trajetória sem recorrer à simplificação artística.

“Ele conseguiu construir uma carreira extremamente comercial, mas que foi ficando mais complexa. Ele adicionou camadas ao trabalho, passou a falar de memória, saudade, coração partido, sucesso, ausência e política, sem perder a conexão com grandes multidões.”

Música pop, política e alcance cultural

Além dos números, Bad Bunny chega ao Super Bowl em um contexto de posicionamento político explícito. O artista tem se manifestado publicamente contra a política de imigração dos Estados Unidos, especialmente diante das ações recentes do ICE em diferentes cidades do país. Esse discurso aparece tanto em suas falas quanto em sua obra e dialoga diretamente com comunidades latinas e imigrantes. Prova disso é que esta será sua única apresentação nos EUA neste ciclo, já que o cantor temia batidas em seus shows, um ponto de encontro para comunidades de língua espanhola em território americano.

Para Guedes, esse aspecto pesa na escolha de Bad Bunny para o palco.

“Ele é o artista mais ouvido do mundo, tem um apelo comercial gigantesco e, ao mesmo tempo, uma história para contar que conversa com o que está acontecendo politicamente nos Estados Unidos. Não tinha outra pessoa.”

Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que o Super Bowl LX passou a ser tratado, no Brasil, como um evento que vai além do esporte. A transmissão se organiza em torno da música como elemento de conexão cultural, capaz de atrair públicos que tradicionalmente não acompanham a NFL.

Um palco que consagra – e cobra

The Weeknd - show exclusivo Billions Club Spotify 2
Crédito: Divulgação

Em especial nos últimos anos, o show do intervalo do Super Bowl passou a ser ocupado por artistas em momentos muito específicos de suas trajetórias, quase sempre no auge comercial e de visibilidade global. A lista recente inclui nomes como Rihanna, que retornou aos palcos em meio à expansão de seu império empresarial, The Weeknd, no período de maior consolidação pop da carreira, Dr. Dre, acompanhado de Snoop Dogg e Eminem, em um movimento de celebração e reposicionamento do hip hop no centro da cultura mainstream, além de Usher, escolhido em um momento de retomada de relevância comercial. 

O padrão revela um critério claro: o palco do Super Bowl passou a ser reservado a artistas com domínio de audiência, repertório consolidado e capacidade de sustentar atenção global em poucos minutos. E embora funcione como um marco na carreira de artistas pop, é também como um espaço de grande pressão. Para Guilherme Guedes, estar ali exige preparo que vai além do musical.

“Você ser convidado para estar naquele palco mostra que você chegou lá. Mas não basta só tocar as músicas. É preciso entregar algo visualmente interessante, tecnicamente impecável e psicologicamente sólido.”

Essa combinação de espetáculo, risco e visibilidade ajuda a entender por que o show do intervalo se consolidou como um dos momentos mais aguardados do Super Bowl, sem nunca tirar o jogo do centro da noite. No Brasil, o que muda em 2026 não é a importância da final da NFL, mas o grau de preparo dos canais, das marcas e da mídia para dialogar com tudo o que orbita o evento. 

A cobertura mais ampla, o uso de referências culturais e a centralidade de Bad Bunny mostram um mercado mais atento às conexões entre esporte, música e cultura pop, justamente em um momento em que o artista também se prepara para subir aos palcos brasileiros no fim do mês. O Super Bowl continua sendo futebol americano no mais alto nível, mas encontra um ambiente local mais pronto do que nunca para surfar na mesma onda global que consagrou ‘Benito’ como um dos principais nomes da música contemporânea.

Serviço | Super Bowl LX

Data: domingo, 8 de fevereiro

Jogo: New England Patriots x Seattle Seahawks

Local: Levi’s Stadium, Califórnia

Onde assistir:

  • sportv – transmissão ao vivo do jogo; pré-jogo a partir das 19h30
  • Ge TV – transmissão ao vivo; início da cobertura às 18h30
  • TV Globo – melhores momentos da partida e show do intervalo após o Big Brother Brasil
  • Multishow – transmissão ao vivo do show do intervalo; a partir das 22h
  • Globoplay – show do intervalo ao vivo para assinantes do plano Premium
  • ge.globo – tempo real da partida, análises e conteúdos especiais

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