As condições de trabalho de artistas e músicos em turnê são o tema central da campanha Raise the Bar, que acaba de ser lançada oficialmente pelo Sindicato de Músicos e Trabalhadores Aliados (UMAW). Anunciada no início deste ano pela entidade norte-americana, a campanha visa combater práticas ditas como predatórias que impactam diretamente parte da cadeia produtiva da música na rota de shows. A iniciativa, já abraçada por cerca de 70 casas de espetáculos pelos Estados Unidos, prevê fortalecer e clarear direitos de artistas e músicos em rota de turnê.
O mote da campanha Raise the Bar é fazer com que os responsáveis pelas casas de shows se responsabilizem em prol de garantir, ao mínimo, direitos básicos a músicos no que diz respeito às condições de trabalho e, sobretudo, à remuneração pelas apresentações.
A iniciativa idealizada pelo UMAW estabelece que essa tratativa entre os responsáveis pelas casas de show e os músicos não fique só no boca a boca, e sim que seja formalizada por meio de contratos justos e transparentes. Os espaços onde as apresentações ocorrem estão sendo solicitados a assinar um termo de compromisso que segue quatro diretrizes principais, quatro políticas que devem seguir na contratação de shows.
Receita de merch e mínimo de ingressos comercializados
A primeira das quatro políticas faz com que os responsáveis pelas casas de show concordem que nenhuma parte da receita de merch será retida pela casa de show, que não deverá receber nenhuma comissão. Isso quer dizer que os artistas e seus equipes ficam livres para comercializar produtos físicos no espaço das casas de espetáculos sem precisar dividir os ganhos financeiros com elas.
A segunda diretriz estabelece que a reserva da casa de show não pode ficar condicionada à venda de um número mínimo de ingressos. Além disso, artista e equipe não devem ser obrigados a pagar uma taxa antecipada para reservar o local da apresentação.
Pesquisa de público e contratos transparentes
Outra política – a terceira -, proíbe que as casas de show exijam do público, na entrada dos eventos, que informem qual artista estão indo assistir, se é o principal da noite ou uma eventual atração de abertura. Lá fora, essa prática costuma ser adotada para ajudar as casas de espetáculos a dividir os lucros entre os artistas.
A última das políticas determina que os responsáveis pelas casas de show apresentem um contrato por escrito aos artistas e suas equipes com antecedência. Devem constar no documento todas as informações referentes a pagamento, divisão de lucros e eventuais descontos e, ainda, detalhar a respeito das condições de trabalho e conduta dos profissionais da casa de espetáculos no dia do evento.
Campanha trará banco de dados para ajudar artistas, agentes e empresários
O Sindicato de Músicos e Trabalhadores Aliados (UMAW) já anunciou que alimentará um banco de dados, parte fundamental da campanha Raise the Bar, com os nomes e especificações das casas de show que estão em conformidade com as quatro políticas estabelecidas.
A ideia é fazer com que essa lista vire uma fonte de consulta e um documento importante para artistas, agentes e empresários na hora de decidir quais espaços de apresentação podem entrar na rota de uma turnê. Isso pensando de forma estratégica e, sobretudo, nos direitos dos músicos e outros profissionais envolvidos.
Entre os cerca de 70 espaços de eventos que já assinaram o compromisso destacam-se o El Rio em São Francisco, The Crocodile em Seattle, Cervantes em Denver, Elastic Arts em Chicago, Poor House em Raleigh, St. Vitas no Brooklyn, Dada no Queens e College Street Music Hall em New Haven.
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