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Paulinho da Costa ganha estrela em Hollywood e coroa décadas de percussão brasileira no pop mundial

A cerimônia que dará a Paulinho da Costa uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood será realizada nesta quarta-feira, 13 de maio, em Los Angeles. Aos 77 anos, o percussionista carioca será homenageado na categoria Recording e terá seu nome instalado na Vine Street, perto da esquina de Hollywood & Vine, em um dos […]

Paulinho da Costa


A cerimônia que dará a Paulinho da Costa uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood será realizada nesta quarta-feira, 13 de maio, em Los Angeles. Aos 77 anos, o percussionista carioca será homenageado na categoria Recording e terá seu nome instalado na Vine Street, perto da esquina de Hollywood & Vine, em um dos endereços mais conhecidos da indústria do entretenimento.

O marco tem peso histórico para a música brasileira. Paulinho será a primeira pessoa nascida no Brasil a receber uma estrela no local, já que Carmen Miranda, embora associada diretamente à cultura brasileira, nasceu em Portugal. Mais do que um reconhecimento individual, a homenagem coloca em evidência uma trajetória construída longe do centro do palco, mas presente em algumas das gravações mais conhecidas da música mundial.

A estrela de Paulinho da Costa não marca a descoberta de um nome novo. Pelo contrário: o percussionista já ocupa há décadas um lugar de prestígio entre produtores, músicos e artistas que moldaram o pop, o soul, o jazz, o R&B e trilhas de cinema nos Estados Unidos. O que muda agora é a escala pública desse reconhecimento, já que instrumentistas de estúdio raramente ganham o tipo de visibilidade reservada a intérpretes, atores e grandes nomes de frente.

Do Irajá à assinatura rítmica de hits globais

Nascido em Irajá, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Paulinho começou a tocar ainda criança, batucando em mesas, copos, garrafas e no que estivesse por perto. A relação com o samba passou pela Portela, pela Festa da Igreja da Penha e por terreiros de candomblé, experiências que ajudaram a formar uma linguagem própria antes da mudança para os Estados Unidos, nos anos 1970, a convite de Sérgio Mendes.

Em Los Angeles, Paulinho entrou em um mercado altamente competitivo de músicos de estúdio. Seu diferencial foi levar para esse ambiente uma escuta brasileira, marcada por pandeiro, cuíca, agogô, cabaça, campanas, colheres e por uma atenção fina ao espaço que a percussão poderia ocupar dentro de uma música. Em vez de aparecer como ornamento, sua percussão muitas vezes virou parte estrutural do groove.

Esse papel aparece em gravações de Michael Jackson, Madonna, Lionel Richie, Quincy Jones, Earth, Wind & Fire, Whitney Houston, Elton John, Miles Davis, Aretha Franklin e muitos outros. A Câmara de Comércio de Hollywood cita mais de 1.000 projetos de artistas, mais de 2.500 álbuns e 6.000 músicas com participação do brasileiro. Entre os trabalhos estão “Thriller”, “We Are The World”, “All Night Long” e “La Isla Bonita”.

O que a estrela representa para um músico de estúdio

Paulinho da Costa (Crédito: OCESUN, CC0, via Wikimedia Commons)

A Calçada da Fama é uma vitrine ligada à cultura de celebridades, mas o caso de Paulinho desloca um pouco esse imaginário. Ele não é reconhecido por uma persona midiática, e sim por uma obra espalhada por catálogos, trilhas, discos, singles e gravações que atravessaram gerações. Para o mercado, isso importa porque joga luz sobre profissionais que influenciam o valor artístico e comercial de uma música, mesmo quando não aparecem na capa do álbum.

No caso de Paulinho, o impacto está justamente nessa presença transversal. Sua percussão aparece em gravações que seguem gerando escuta, licenciamento, memória afetiva, samples e valor de catálogo. Em uma indústria cada vez mais atenta a direitos, créditos e repertórios de longa duração, sua trajetória mostra que um músico de sessão pode ser peça central na construção de ativos culturais duradouros.

A própria escolha pela categoria Recording ajuda a situar a homenagem. A estrela não celebra apenas a figura pública do artista, mas sua contribuição para a música gravada. É uma distinção importante em um momento no qual o mercado discute com mais frequência quem participa da criação de uma faixa, como os créditos circulam e de que forma nomes de bastidor entram na narrativa oficial da música.

Como uma estrela na Calçada da Fama se concretiza

Campanha de Johnnie Walker celebra Paulinho da Costa
Campanha de Johnnie Walker celebra Paulinho da Costa (Crédito: Divulgação)

A Calçada da Fama é administrada pela Câmara de Comércio de Hollywood em nome da cidade de Los Angeles, e os homenageados são escolhidos por um comitê. Para que uma candidatura avance, é preciso autorização do artista ou de sua equipe, além de um patrocinador responsável pelos custos ligados à estrela, à cerimônia e à manutenção.

Segundo as regras oficiais, a taxa de patrocínio é de US$ 85 mil. O valor cobre a criação da estrela, a instalação, a cerimônia e a manutenção vitalícia do monumento. Após a aprovação, o homenageado tem um prazo para realizar a cerimônia, e a localização final é definida pela organização, de acordo com critérios logísticos da Calçada da Fama.

No caso de Paulinho, a homenagem também ganha força por vir acompanhada de uma construção narrativa mais ampla. O documentário “The Groove Under the Groove: Os Sons de Paulinho da Costa”, disponível na Netflix, recupera sua trajetória e coloca em imagens uma história que, por muito tempo, circulou principalmente entre músicos, produtores e colecionadores atentos aos créditos dos discos.

Documentário e Johnnie Walker ajudam a levar a história a outro público

Dirigido por Oscar Rodrigues Alves, o documentário reúne bastidores, depoimentos e reencontros para mostrar como Paulinho inseriu a percussão brasileira em gravações centrais da música mundial. A produção também tem o mérito de explicar ao público leigo o que faz um percussionista de estúdio: não se trata apenas de “tocar junto”, mas de encontrar timbres, acentos e soluções que mudam a textura de uma faixa.

A campanha “O homem que mudou o ritmo do mundo”, da Johnnie Walker, criada pela AlmapBBDO, entra nesse mesmo movimento. A marca conectou a trajetória de Paulinho à plataforma global “Passos que mudam o ritmo do mundo” e financiou o documentário. Embalada por “All Night Long”, de Lionel Richie, a ação usa uma das gravações com a assinatura do percussionista para apresentar sua história a um público mais amplo.

A estrela, o filme e a campanha formam, juntos, um raro momento de reposicionamento público de um instrumentista brasileiro. Paulinho da Costa já tinha prestígio entre quem conhece a engrenagem da música gravada. Agora, sua trajetória ganha uma moldura mais visível, capaz de mostrar que o som brasileiro também entrou na história do pop mundial pelas mãos de quem, muitas vezes, não estava no centro do palco.

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