Com uma agenda de quase 30 shows em cerca de 25 cidades e 10 estados, Nattan atravessa o São João como um dos nomes mais presentes da temporada junina em 2026. A maratona inclui passagens por festas simbólicas como Caruaru e Campina Grande, além de mercados de outras regiões do país, em um roteiro que soma aproximadamente 15 mil quilômetros ao longo do mês.
Na entrevista ao Mundo da Música, o cantor fala sobre os cuidados necessários para sustentar uma sequência tão intensa de apresentações, com atenção especial à voz, à alimentação, ao sono e à preparação física. Para ele, a rotina exige disciplina, mas também inteligência para dosar a entrega no palco sem comprometer a qualidade dos shows.
Nattan também comenta como trabalha para que a visibilidade do São João não fique concentrada apenas em junho. O artista defende que o forró já deixou de ser regional em um sentido limitado e aponta a importância de repertório, lançamentos e parcerias para manter o gênero em circulação durante todo o ano, sem perder a ligação com suas raízes nordestinas.
Ao longo da conversa, ele ainda fala sobre a diferença entre se apresentar em cidades onde o São João faz parte da identidade local e levar essa festa para outros públicos pelo Brasil. O cantor também explica como monta o repertório da temporada, que neste ano tem o projeto “Paredão do Nattan” como base, misturando hits, clássicos do forró, momentos de quadrilha e romantismo.
Confira abaixo a conversa completa.
Entrevista: Nattan
Mundo da Música: Você chega a este São João com uma maratona de quase 30 shows, passando por cerca de 25 cidades em 10 estados. Como se prepara, física e artisticamente, para sustentar esse ritmo sem perder a entrega no palco?
Nattan: Eu encaro com muita seriedade essa maratona junina e, para estar bem e conseguir dar conta de tudo, preciso me cuidar. Então, tento me alimentar bem, com escolhas mais saudáveis, e me esforço para não falhar na academia (hahaha). Mas o cuidado maior é com a voz, que é meu instrumento de trabalho. Não dá pra vacilar. Faço fono, hidratação constante e vou ajustando a entrega no palco com inteligência pra conseguir entregar 100% em todos os shows. Além disso, tento manter uma rotina de sono. Nossas cordas vocais são músculos e a única forma de recuperar bem, aprendi que é dormindo e, mesmo com a correria, deixo o celular de lado pra conseguir realmente descansar e recuperar a energia.
Mundo da Música: O São João coloca o forró e os artistas nordestinos em uma vitrine enorme durante algumas semanas. Como você trabalha para que essa visibilidade não fique concentrada em junho e continue rendendo em agenda, lançamentos e conexão com o público ao longo do ano?
Nattan: Junho traz uma vitrine gigante, coloca o forró em evidência, mas o trabalho de verdade é fazer essa energia atravessar o ano inteiro. Isso passa pela construção do repertório que a gente já começa a pensar muito antes de junho, os lançamentos, parcerias com artistas de outros segmentos, etc. Eu busco construir uma identidade que funcione tanto no São João quanto fora dele, sem perder a minha raiz, trazendo sempre um pouco de onde vim. Também acredito muito na força coletiva. O trabalho que artistas como Xand Avião, Wesley Safadão, Tarcísio do Acordeon, João Gomes e tantos outros vêm fazendo ajuda a fortalecer o movimento como um todo. O forró hoje já não é mais regional no sentido limitado da palavra, ele está em expansão, dialogando com outros gêneros e chegando em novos públicos.

Mundo da Música: Sua agenda passa por praças simbólicas como Caruaru e Campina Grande, mas também por muitos outros mercados pelo país. O que muda na relação com o público quando o forró sai do Nordeste e ocupa palcos de diferentes regiões?
Nattan: Caruaru e Campina Grande têm uma conexão muito profunda com o São João porque fazem parte da história e da identidade cultural do Nordeste. Existe uma emoção diferente quando você sobe ao palco nesses lugares, porque o público vive essa tradição de forma muito intensa. Ao mesmo tempo, é muito bonito ver o forró conquistando espaço em outras regiões do país. Quando levo meu show para estados que não têm essa cultura tão presente no dia a dia, percebo uma curiosidade enorme e uma vontade verdadeira de fazer parte da festa. O que muda é a forma como cada público se relaciona com o repertório, mas a energia da celebração continua sendo a mesma.
Mundo da Música: Durante o São João, o público espera hits, repertório junino e momentos de festa que funcionem em grandes praças. Como você monta um show para essa temporada e decide o que precisa entrar no repertório para dialogar com públicos tão diferentes?
Nattan: Eu acho que a gente precisa respeitar a tradição da festa, porque ela tem uma força cultural enorme, mas também entregar aquilo que o público espera de mim. Neste ano, o Paredão do Nattan, projeto que lancei em abril, virou a base dos shows. Ele tem muito da energia que eu gosto de levar para o palco, com músicas que fazem a galera cantar, dançar e viver a experiência do São João de forma intensa. Mas no meu show tem espaço pra tudo. Tem forró tradicional, tem clássicos que marcaram gerações, tem momento de quadrilha, tem romantismo, tem de tudo (risos).
Mundo da Música: Pensando no mercado, o que ainda falta para o forró e os artistas ligados ao São João serem lidos nacionalmente com a mesma dimensão econômica e cultural que já têm na prática?
Nattan: O forró já tem uma dimensão cultural e econômica gigantesca. O que acontece é que, muitas vezes, o restante do país ainda não enxerga essa potência por completo. Quando chega junho, todo mundo percebe a força do São João, os números de público, o impacto no turismo e na economia, mas isso existe o ano inteiro. Acredito que falta ampliar essa leitura para além da sazonalidade. O forró produz grandes artistas, movimenta cadeias inteiras de trabalho e reúne multidões comparáveis aos maiores eventos do Brasil. Também vejo essa nova geração ocupando espaços importantes, levando a música nordestina para festivais, plataformas digitais e grandes cidades. Quanto mais essa presença se tornar constante ao longo do ano, mais natural será reconhecer nacionalmente uma relevância que, na prática, já existe há muito tempo.
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