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Mulheres perdem espaço na música popular, diz estudo da USC com dados de 1.400 canções

A presença de mulheres na música popular teve recuo em 2025, segundo um novo relatório da USC Annenberg Inclusion Initiative. O estudo analisa 1.400 músicas dos charts de fim de ano da Billboard entre 2012 e 2025 e mostra que, apesar de algum avanço ao longo da última década, os números mais recentes indicam estagnação […]

Representatividade feminina na indústria caiu em 2025, segundo a USC Annenberg


A presença de mulheres na música popular teve recuo em 2025, segundo um novo relatório da USC Annenberg Inclusion Initiative. O estudo analisa 1.400 músicas dos charts de fim de ano da Billboard entre 2012 e 2025 e mostra que, apesar de algum avanço ao longo da última década, os números mais recentes indicam estagnação nos rankings e queda em áreas como composição e produção. O retrato aponta para um cenário em que a participação feminina segue distante do equilíbrio, especialmente nos bastidores da criação musical.

O dado mais visível está nos charts: em 2025, as mulheres ocuparam 36,1% dos créditos de artistas nas músicas mais populares dos Estados Unidos, contra 37,7% em 2024. O número é melhor do que os 22,7% registrados em 2012, mas o próprio relatório aponta que o avanço perdeu força desde 2023. Entre as artistas solo, a participação caiu para 34,5%.

Autoria e produção seguem como gargalos

Crédito: Freepik

Onde a situação fica mais dura para as mulheres é nos bastidores. Em 2025, elas responderam por 14,5% dos créditos de composição, abaixo dos 18,9% de 2024. Isso quer dizer que metade das músicas analisadas no Hot 100 de fim de ano não teve sequer uma mulher entre as compositoras. Ao longo de 14 anos, a fatia feminina soma 13,9% dos créditos de composição.

Na produção musical, o quadro é ainda mais apertado. Só 4,4% dos produtores creditados em 2025 eram mulheres, ante 5,9% no ano anterior. No acumulado da pesquisa, a proporção é de 27 homens para cada mulher na produção. O relatório também mostra que mais de 93% das músicas avaliadas ao longo de 11 anos não tiveram nem uma mulher produtora.

Esse recuo ajuda a explicar por que a discussão sobre as mulheres na música não pode ficar restrita ao palco. Quando a presença feminina trava na composição e na produção, ela trava justamente nas áreas que definem estética, narrativa, repertório e poder de decisão. É ali que se distribuem crédito, prestígio e renda de longo prazo.

A autora do estudo, Dr. Stacy L. Smith, resume o diagnóstico conectando música, cinema e reconhecimento público.

“Relatamos que 2025 foi um retrocesso para diretoras de cinema, uma reversão do avanço de mulheres em papéis principais no cinema e, agora, menos mulheres nos principais charts da música. Isso é três strikes contra a indústria do entretenimento e nos diz que o lugar das mulheres neste negócio está encolhendo. Festas, premiações e ações de comunidade não criaram mudança. Elas criaram uma comunidade de mulheres cuja indústria não apoia nem elas nem o trabalho delas.”

O avanço racial não resolve a desigualdade de gênero

A representatividade de raça teve avanços em 2025 (Crédito: Reprodução)
A representatividade de raça teve avanços em 2025 (Crédito: Reprodução)

O estudo traz um contraponto importante. Entre os artistas, houve melhora na presença de grupos raciais e étnicos sub-representados, que passaram de 44,6% em 2024 para 57,8% em 2025. Entre as mulheres presentes nos charts, 60,4% eram mulheres racializadas, alta importante sobre o ano anterior. Parte desse movimento foi puxada pelo sucesso de grupos ligados ao filme “Guerreiras do K-Pop”, que ajudou a elevar a presença feminina em bandas para 41,9%, recorde da série.

Mas esse avanço não se repete com a mesma força nos bastidores. Em 2025, houve 29 compositoras não-brancas, número praticamente estável em relação a 2024. Na produção, elas seguem quase invisíveis: apenas quatro mulheres racializadas receberam crédito, e só uma delas não era também intérprete da faixa. No acumulado do estudo, a relação é de 94,5 homens para cada mulher não-branca na produção.

Isso importa porque desmonta uma leitura apressada de que o mercado já estaria resolvendo sozinho seus desequilíbrios. Há avanço na vitrine, mas não na mesma intensidade nos postos de criação e comando. Para a indústria, isso significa que a diversidade ainda aparece mais como resultado pontual de hits do que como mudança estrutural de contratação e colaboração.

O Grammy melhora pouco e ainda premia pouco

edital Mulher artista negra

O relatório também olha para seis categorias principais do Grammy e mostra que, em 2026, as mulheres foram 19,3% dos indicados. O índice supera os 7,9% de 2013, mas fica abaixo dos 22,7% de 2025. Na categoria “Produtor do Ano”, nenhuma mulher foi indicada em 2026, e em “Álbum do Ano” a participação feminina caiu para 6,8%.

Há um dado que chama atenção: 61,1% das indicações femininas em 2026 foram para mulheres racializadas. Ainda assim, o reconhecimento segue curto quando se olha quem de fato leva o prêmio. Em 14 anos, apenas 13,2% dos vencedores dessas categorias foram mulheres. Em 2026, elas representaram 16,7% dos vencedores, e só duas eram mulheres racializadas.

O estudo da USC Annenberg Inclusion Initiative também lembra que seu recorte é o topo do mercado, com foco nas músicas mais populares do ano. Mesmo assim, é justamente por ser um retrato do mainstream que o material pesa tanto: ele mostra quem está sendo ouvido, contratado, premiado e colocado no centro da cultura pop. Quando esse movimento acontece no topo do mercado, ele ajuda a definir quem é ouvido, contratado e reconhecido em toda a cadeia da música.

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