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Ao contrário das previsões feitas por numerosos especialistas em IA, a ferramenta não tem representado mudanças significativas na produtividade, margem de lucro e crescimento de empresas fora do escopo de tecnologia. É o que conclui pesquisa divulgada pela líder em investimentos Apollo Global Management no último sábado (24). De acordo com o estudo, somente as grandes corporações de tecnologia obtiveram uma disparada financeira expressiva com a adoção de Inteligência Artificial em larga escala. Dentre elas, Amazon, Apple, Google, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla.
Torsten Slok, sócio e economista-chefe da Apollo, analisou três métricas principais que levaram à conclusão: receita por trabalhador, margens de lucro e crescimento da produtividade. Se observou, por meio de uma série de gráficos, que todos os três índices só tiveram aumento significativo entre as empresas de tecnologia. Fora desse escopo, não se notou um crescimento expressivo.
A pesquisa revela que todas essas três métricas dispararam, entre as grandes corporações de tecnologia, desde 2022. A receita por funcionário, por exemplo, saltou de US$550 mil para US$800 mil. Já para empresas que ficam de fora desse escopo, essa métrica não obteve aumento significativo. Já as margens de lucro das empresas de tecnologia vieram escalonando de 2022 pra cá, enquanto outras empresas de fora do setor experimentaram uma estagnação de cerca de 10% nesse índice.
“As grandes empresas americanas estão recuando e começando a ver [o uso de IA] não como uma fonte de crescimento, mas como um centro de custos que pesa sobre as margens de lucro […]. A tecnologia não trouxe nenhum retorno financeiro para as empresas americanas fora do setor de tecnologia”, destacou Torsten Slok em trecho do documento.
IA é incapaz de assimilar fatores fundamentais para o aumento de lucro e crescimento das empresas
“A IA pode ser uma ótima calculadora, mas, nos negócios, a inteligência é, em grande parte, julgamento […]. A ferramenta não entende de responsabilidade, confiança, cultura, regras não escritas, concessões éticas ou justiça, fatores que moldam o risco reputacional e, em última análise, impulsionam o crescimento da receita e as margens de lucro”, analisou Slok a partir dos dados obtidos pela pesquisa.
Na pesquisa, a Apollo também traz um contraponto às previsões, por parte dos especialistas em IA, de que a tecnologia se apresentaria tão avançada a ponto de fazer com que as pessoas trabalhassem menos em suas funções. Uma das análises feitas expõe que, na realidade, muitos funcionários seguem perdendo seus empregos em empresas de todos os portes e escopos devido a uma alta de investimentos em tecnologias de ponta e, sobretudo, de IA.
“A questão para o futuro é se, mesmo com a crescente banalização dos modelos, as grandes empresas americanas conseguirão transformar a inteligência cada vez mais barata em maior crescimento de receita e margens de lucro mais elevadas […]. Isso pode ser mais difícil do que parece”, prevê o sócio e economista-chefe da empresa líder em investimentos.
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