O mercado de festivais de música no Brasil manteve estabilidade em 2025 e alcançou 366 eventos realizados, segundo dados do Mapa dos Festivais, plataforma de conteúdo e dados dedicada ao setor. O número representa um crescimento inferior a 1% em relação a 2024 e indica um momento de consolidação do segmento após anos de expansão e reorganização no pós-pandemia.
Os dados fazem parte do Panorama Mapa dos Festivais 2025, estudo anual que reúne informações sobre festivais, artistas escalados, marcas patrocinadoras, comportamento do público e turnês internacionais. A pesquisa também inclui entrevistas com profissionais do setor e levantamento com mais de mil frequentadores de eventos.
A edição deste ano traz ainda novos recortes sobre shows internacionais no país e um dashboard interativo que permite cruzar dados do relatório, oferecendo ferramentas para análise estratégica por profissionais da indústria musical, marcas e produtores. Uma prévia gratuita já está disponível.
Em evento para o mercado realizado ontem (11), em São Paulo, Juli Baldi, pesquisadora musical, jornalista e diretora criativa do Bananas Music, empresa de curadoria musical para marcas, e do Mapa dos Festivais, apresentou essa prévia. Após a apresentação, o encontro contou com a conversa “O que esperar dos festivais de música em 2026?”, reunindo profissionais que atuam em diferentes frentes do setor. Participaram da conversa Guilherme Guedes (Multishow), Karla Megda (Sympla), Fabrício Nobre (Festival Bananada, de Goiânia) e Ju Arruda (diretora de produção do Breu, projeto de Liniker), discutindo perspectivas e desafios para o próximo ciclo de festivais no país.
Mercado de festivais mostra estabilidade e forte rotatividade
Apesar da estabilidade no número total de eventos, o relatório aponta uma rotatividade relevante no calendário de festivais. Em 2025, 15 festivais foram cancelados e três adiados, enquanto 58 eventos ocorreram pela primeira vez e 41 chegaram à segunda edição.
A pesquisa também reforça o peso regional do setor. O Sudeste concentra a maior parte dos festivais, com 200 eventos, seguido por Nordeste (68), Sul (46), Centro-Oeste (34) e Norte (18).
Outro dado que ilustra a dimensão do mercado é a quantidade de artistas envolvidos. Ao longo de 2025, 3.703 artistas se apresentaram em festivais no país, um aumento de 25% em relação ao ano anterior.
Esse crescimento ocorre em paralelo à diversificação de line-ups e ao fortalecimento de cenas regionais, fenômeno destacado na pesquisa como parte do processo de profissionalização do setor.
Festivais multigênero dominam o cenário brasileiro
A análise do perfil musical dos eventos mostra uma predominância clara de festivais multigênero. Segundo o levantamento, 48% dos festivais brasileiros adotam esse formato, reunindo diferentes estilos musicais em uma mesma programação.
Entre festivais com curadoria mais específica, o estudo aponta crescimento no número de eventos dedicados a jazz e blues, enquanto festivais centrados em rap e trap registraram queda no período analisado.
A tendência acompanha mudanças no consumo musical do público e nas estratégias de programação dos eventos, que buscam equilibrar diversidade artística com apelo comercial.
Turnês internacionais seguem crescendo no Brasil
Pela primeira vez, o relatório traz um recorte específico sobre turnês internacionais no país. Em 2025, o Brasil recebeu 169 turnês internacionais, totalizando 322 shows realizados em 29 cidades.
O rock lidera entre os artistas estrangeiros, representando 55% das turnês internacionais que passaram pelo país. O levantamento também registra presença importante de pop, K-pop e música eletrônica.
Os dados apontam para o papel do Brasil como um dos principais mercados de shows ao vivo da América Latina e indicam a retomada consistente da circulação internacional de artistas após os impactos da pandemia.
Artistas dominam line-ups e repetem presença em festivais

Outro recorte da pesquisa identifica quais artistas apareceram com mais frequência nos line-ups de festivais brasileiros em 2025. O grupo Menos é Mais lidera o ranking, com 22 apresentações, seguido por Duquesa e Péricles, ambos com 19 participações. Na sequência aparecem Sorriso Maroto e BK, com 18 festivais cada.
O levantamento também aponta um padrão no circuito de festivais: seis dos dez artistas mais escalados em 2025 já estavam entre os mais presentes no ranking de 2024. O dado indica que produtores continuam apostando em nomes com forte circulação nacional e histórico de público consolidado, ao mesmo tempo em que alguns novos artistas começam a ocupar espaços recorrentes nas programações.
Line-ups maiores e presença crescente de patrocinadores
A análise das programações também ajuda a dimensionar o porte médio dos eventos. Em 2025, os festivais brasileiros tiveram 16,4 artistas por line-up, em média, indicando programações mais amplas e eventos que combinam atrações de diferentes portes em um mesmo palco ou estrutura de festival.
Outro indicador do crescimento estrutural do setor aparece no número de patrocinadores. O levantamento identificou 958 marcas patrocinadoras diferentes, com 1.996 ativações registradas, o que representa um crescimento de cerca de 10% em relação a 2024.
Na média, os festivais brasileiros contaram com 5,5 marcas patrocinadoras por evento, reforçando o papel das ativações de marca como uma das principais fontes de financiamento para a realização de festivais no país.

Bebidas lideram investimentos de marcas em festivais
O relatório também analisa a presença de patrocinadores no ecossistema de festivais. Em 2025, foram identificadas 958 marcas patrocinadoras, número que reforça o interesse cada vez maior das empresas pelo formato.
Entre os patrocinadores mais recorrentes, o setor de bebidas domina o ranking, com Amstel, Coca-Cola e Red Bull entre as marcas mais presentes nos eventos.
Esse tipo de investimento é visto pelas empresas como uma forma de construir relacionamento com o público jovem e associar suas marcas a experiências culturais e sociais. Segundo o estudo, os festivais se consolidam como plataformas de relacionamento entre marcas e fãs, combinando experiências presenciais, ativações e estratégias de branding.
Público vê festivais como experiência cultural e social

A pesquisa também investigou o comportamento dos frequentadores de festivais. Entre os entrevistados, 52% afirmam preferir shows individuais, enquanto 48% dizem preferir festivais.
Mesmo com essa divisão equilibrada, o estudo destaca o caráter experiencial desses eventos. Para grande parte do público, os festivais são percebidos como momentos de convivência, descoberta musical e participação em comunidades culturais.
A mobilidade também aparece como um fator relevante: 30% dos entrevistados viajaram para participar de pelo menos um festival em 2025, indicando o impacto desses eventos no turismo cultural.
Estrutura do mercado é formada majoritariamente por festivais de pequeno porte
Outro dado relevante do estudo é o perfil de tamanho dos eventos. Segundo o levantamento, 79% dos festivais brasileiros são de pequeno ou médio porte, mostrando que o mercado não é composto apenas por grandes eventos conhecidos nacionalmente.
Festivais de pequeno porte representam 56% do total, enquanto eventos de médio porte somam 22%. Já festivais classificados como grandes correspondem a 14%, e os chamados superfestivais representam 8% do calendário nacional.
Os dados indicam que a maior parte do ecossistema de música ao vivo no Brasil é formada por eventos regionais e iniciativas locais, muitas vezes responsáveis por impulsionar cenas musicais específicas e revelar novos artistas.

Profissionalização e novas ferramentas de análise de dados
A pesquisa também reúne entrevistas com profissionais de diferentes áreas do setor musical, incluindo produtores, executivos de marcas e curadores de festivais. Entre os entrevistados estão Beatriz Araújo (Natura), Pedro Kurtz (Deezer), Potyra Lavor (Afropunk), Fabrício Nobre (Festival Bananada) e Karla Martins (Festival Varadouro), além de representantes de eventos em diversas regiões do país.
De acordo com o estudo, há uma percepção comum entre esses profissionais de que o setor vive um momento de maior profissionalização, com avanços em curadoria, gestão e modelos de negócio. Como parte dessa evolução, a edição de 2025 introduz um dashboard interativo que permite visualizar e cruzar informações do relatório, aumentando as possibilidades de análise para produtores, marcas e profissionais da indústria.
Combinando dados sobre festivais, turnês internacionais, marcas e comportamento do público, o levantamento ajuda a dimensionar o tamanho e as transformações recentes do mercado de música ao vivo no Brasil.
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