O Festival Jazz na Serra acaba de abrir inscrições para propostas artísticas que poderão integrar a edição de 2026 do festival, realizado em Santo Antônio do Pinhal, na Serra da Mantiqueira. O credenciamento vai até 24 de abril e contempla não só projetos musicais, mas também propostas de outras linguagens, como artes visuais e cênicas.
Com curadoria do trombonista Joabe Reis, o evento quer olhar com mais atenção para a cena da Mantiqueira e do entorno, sem deixar de receber inscrições de outras regiões. A iniciativa vem na sequência de uma edição de 2025 que reuniu nomes como Hamilton de Holanda, Dejavu Session, Salomão Soares & Vanessa Moreno, Ellen Oléria e Trio Corrente, além de ter movimentado a cidade com programação espalhada por diferentes pontos.
Inscrições miram música, artes visuais e cenas locais
Para 2026, o Jazz na Serra quer transformar o processo de inscrições em uma porta de entrada para novos encontros artísticos. A proposta é ampliar o leque de participação e abrir espaço para projetos que nem sempre circulam pelos caminhos mais conhecidos do mercado, sobretudo fora do eixo Rio-São Paulo.
Esse movimento ajuda a desenhar um festival com identidade mais aberta, em que a música instrumental segue no centro, mas dialoga com outras expressões culturais. Ao mesmo tempo, a organização deixa claro que há uma prioridade em valorizar artistas da própria Serra da Mantiqueira e da região, o que aproxima o evento do território em que ele acontece e evita que a cidade seja apenas pano de fundo para a programação.
Pedro Pimenta, diretor do festival, resume essa linha de curadoria ao falar sobre a combinação entre nomes já conhecidos e descobertas.
“O festival tem essa proposta de levar artistas já consagrados mas, também, abrir espaço para que novos artistas sejam revelados dentro do festival, como já aconteceu em outros projetos que realizamos. Abrir esse tipo de credenciamento sempre nos proporciona grandes descobertas, e o festival se propõe a surpreender o seu público o tempo todo”.
Como curador, Joabe Reis também destacou o peso dessa escuta mais aberta, especialmente para artistas em fase de lançamento e para cenas menos visíveis no circuito nacional.
“O objetivo é ouvir e abrir espaço para novos artistas, especialmente aqueles que estão lançando álbuns e novos projetos, e muitas vezes não chegam até nós pelos caminhos tradicionais, principalmente os que estão fora do eixo Rio-São Paulo. Como curador e pesquisador de música, estou sempre em busca de novos artistas e novas propostas. Por isso, criar esse canal dentro do Jazz na Serra é uma forma de ampliar esse alcance e seguir descobrindo novos talentos da música brasileira”, afirma.
Festival tenta consolidar impacto local e projeção fora do país
Um dos pontos mais interessantes do Jazz na Serra é justamente a tentativa de equilibrar formação de público, circulação artística e impacto local. Em vez de pensar o festival apenas como vitrine, a produção coloca a relação com a cidade como parte do projeto. Isso aparece no discurso da equipe e também no retorno relatado após a primeira edição de maior porte.
Segundo Júlia Andreatta, fundadora da Casa de Abelha e diretora de produção do evento, o objetivo é que o crescimento do festival caminhe junto com a experiência de quem mora e circula em Santo Antônio do Pinhal.
“O Jazz na Serra nasceu com o compromisso de fomentar a música instrumental brasileira, sempre em diálogo e respeito com a cidade e a população local. Desde o início, a proposta é realizar um evento que seja positivo para todos: artistas, público e também para quem vive em Santo Antônio do Pinhal. Nós, da Casa de Abelha, responsáveis pela produção do festival, ficamos muito felizes com o retorno do público, que superou as expectativas para uma primeira edição. Essa resposta nos motiva a seguir aprimorando cada detalhe do evento, fortalecendo o festival e garantindo que o público tenha sempre a melhor experiência possível no Jazz na Serra”.
A repercussão da edição anterior também abriu uma frente de projeção internacional. O festival foi selecionado para integrar a missão do Creative SP no SXSW, em Austin, no Texas, por meio de um programa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativa do Estado de São Paulo, realizado pela Investe SP. Isso colocou o projeto em contato com a comunidade internacional e ajudou a apresentar o festival fora do Brasil.
Para Pedro, essa presença no SXSW teve valor simbólico e estratégico.
“Foi um reconhecimento do trabalho que vem sendo feito e uma oportunidade de apresentar o festival para o mundo”.
O diretor também relatou o impacto que a experiência teve sobre a visão de futuro do evento.
“Para quem trabalha com música, é uma grande oportunidade de conhecer diversos artistas que ainda não chegaram aos palcos brasileiros. Voltei muito motivado com o que fazemos no Jazz na Serra”.
Com as inscrições abertas, o festival agora tenta transformar esse momento em curadoria concreta para 2026, conectando a descoberta de novos nomes, circulação regional e uma ambição de crescer sem perder o vínculo com a cidade que abriga o festival.
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