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Erika Hilton protocolou uma representação na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) para investigar a recente decisão da Sony de encerrar a produção de jogos em mídia física para o PlayStation. A medida da multinacional, prevista para entrar em vigor em 2028, gerou forte reação da comunidade de jogadores e agora entra na mira dos órgãos federais de defesa do consumidor.
A iniciativa da parlamentar, que integra a Comissão de Defesa do Consumidor, questiona a legalidade e o impacto financeiro da mudança. Um dos principais pontos levantados envolve o valor dos consoles atuais. Os modelos do PlayStation 5 equipados com leitor de disco são vendidos por preços consideravelmente mais altos do que as versões exclusivamente digitais.
“Há problemas evidentes nisso: os consoles vendidos hoje contam com o leitor de mídia física e continuam sendo vendidos. Inclusive, os consumidores pagam a mais pelas versões com leitor”, argumentou Erika Hilton. Para ela, a comercialização desses aparelhos gera um compromisso implícito de que a entrada de disco continuará tendo utilidade nos próximos anos.
Outro ponto crítico destacado na denúncia é a publicidade da empresa. A investigação deve apurar se a Sony utilizou jogos futuros, que agora serão lançados apenas digitalmente, para impulsionar a venda do console físico.
A mudança para o formato 100% digital também levanta debates profundos sobre a posse dos jogos. Diferente do disco físico, que pertence ao comprador, o formato digital funciona sob licenciamento. Na prática, as distribuidoras mantêm o direito de revogar essas licenças, o que pode fazer com que títulos simplesmente sumam da biblioteca dos usuários.
“A venda exclusivamente digital de jogos também fortalece o monopólio das lojas de cada empresa de consoles”, apontou. Sem a mídia física, os consumidores perdem a liberdade de revender, trocar ou emprestar seus jogos, ficando reféns dos preços praticados na loja oficial da plataforma.
A parlamentar alertou para um cenário futuro dominado por assinaturas de múltiplos níveis, anúncios integrados e a perda definitiva de acervos pessoais de jogos, citando também práticas de outras gigantes do setor, como Microsoft e Nintendo.
Mesmo confessando ter apenas o clássico GTA em sua biblioteca pessoal e ser “viciada em fazer apenas a missão do avião”, Erika Hilton reforçou que a pauta é urgente para proteger o bolso do trabalhador que consome cultura e entretenimento. A Senacon deve analisar a representação para decidir se abrirá um procedimento administrativo oficial contra a Sony.
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