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Carlinhos Aristides faz balanço da Casa Vybbe e vê São João como motor nacional da música

A Casa Vybbe ganhou um resultado concreto em sua primeira edição em Campina Grande. Durante o Maior São João do Mundo, a iniciativa criada pela Vybbe, em parceria com a Believe e a Acertei, premiou duas novas vozes da música nordestina após uma semana de audições, mentorias e desenvolvimento artístico. Em um balanço exclusivo da […]

Casa Vybbe (Crédito: Ryan Pinheiro) e Carlinhos Aristides


A Casa Vybbe ganhou um resultado concreto em sua primeira edição em Campina Grande. Durante o Maior São João do Mundo, a iniciativa criada pela Vybbe, em parceria com a Believe e a Acertei, premiou duas novas vozes da música nordestina após uma semana de audições, mentorias e desenvolvimento artístico. Em um balanço exclusivo da iniciativa para o Mundo da Música, Carlinhos Aristides, CEO da Vybbe, vê o São João como uma das principais engrenagens da música brasileira ao vivo e defende que a força dos artistas nordestinos não pode ser tratada apenas como fenômeno de temporada.

As vencedoras da Maior Audição do Mundo foram Duda Borges, na categoria de composição, e Bruna Nogueira, na categoria de interpretação. A entrega dos prêmios contou com Mari Fernandez e Léo Foguete, embaixadores da ação, que acompanharam o desenvolvimento dos participantes durante a semana. Duda passará a integrar o quadro de contratados da Acertei, enquanto Bruna gravará um EP com quatro faixas produzido pela Vybbe e fará uma participação especial no show de Léo Foguete no Parque do Povo, em Campina Grande.

O projeto ajuda a explicar uma mudança mais ampla no mercado. O São João, que sempre foi uma das maiores expressões culturais do Nordeste, passou a operar também como uma plataforma de negócios para artistas, marcas, criadores de conteúdo, executivos e empresas da música. A Casa Vybbe levou parte da operação da companhia para Campina Grande e transformou a cidade em um ponto de encontro da indústria durante a temporada junina.

Casa Vybbe leva música, conteúdo e negócios para Campina Grande

A Casa foi realizada em um dos principais destinos da temporada junina no país. O espaço reuniu shows, encontros com artistas, produção de conteúdo, talks, workshops, networking e ações voltadas ao desenvolvimento de novos talentos.

Criada pela Vybbe, empresa responsável pela gestão de nomes como Xand Avião, Nattan e Felipe Amorim, a Casa Vybbe já existia em Fortaleza e chegou pela primeira vez a Campina Grande. A escolha da cidade acompanha a força econômica e simbólica do São João para o mercado musical, especialmente pela circulação entre polos como Campina Grande, Caruaru, Petrolina e Patos.

A Believe entrou como co-realizadora do projeto em um momento em que celebra 20 anos de atuação global em 2026 e mais de uma década de presença no Brasil. A empresa levou executivos para a programação, com workshops voltados a artistas independentes, profissionais do setor e empreendedores da música, abordando temas como desenvolvimento de carreira, estratégias de audiência e oportunidades no ambiente digital.

A Acertei também participou da construção da Casa Vybbe por meio da audição voltada a compositores e intérpretes. Nos três primeiros dias, cinco cantores e cinco compositores selecionados participaram de uma imersão conduzida por especialistas em forró e composição musical. As músicas foram desenvolvidas do zero e avaliadas pelas equipes artísticas da Acertei e da Vybbe.

São João ganha peso como plataforma econômica da música

Mari Fernandez e Léo Foguete premiam Duda Borges e Bruna Nogueira, compositora e intérprete, após reality na Casa Vybbe, em Campina Grande (Crédito: Ryan Pinheiro)

A movimentação da Casa Vybbe acontece em um contexto de forte demanda por artistas nordestinos no mercado de shows. Em 2025, a Vybbe realizou mais de 1.700 apresentações com seu casting e gerou 402 empregos diretos. Apenas no período junino, os artistas da empresa somaram mais de 320 shows, percorreram cerca de 200 mil quilômetros e passaram por mais de 170 cidades do Norte e Nordeste.

Esses números mostram como o São João deixou de ser apenas uma temporada de festas para se tornar uma das principais engrenagens da música ao vivo no Brasil. A agenda envolve cachês, transporte, hospedagem, alimentação, equipes técnicas, produção de palco, marcas, turismo, conteúdo digital e negócios paralelos que movimentam diferentes pontas da cadeia do entretenimento.

Para a Vybbe, esse volume também exige uma operação de escala. A empresa trabalha com planejamento de rotas, equipes paralelas, monitoramento em tempo real, negociação com contratantes e estrutura de apoio para artistas que, muitas vezes, fazem mais de uma apresentação na mesma noite e cruzam estados em sequência.

O projeto proprietário em Campina Grande expande essa leitura de mercado. Ao reunir artistas antes dos shows, criadores de conteúdo, profissionais da indústria e marcas em um mesmo espaço, a Casa Vybbe transforma a temporada em uma vitrine de negócios. Não se trata meramente de acompanhar a festa, mas de criar um ambiente onde a música nordestina seja discutida como carreira, produto cultural, ativo de marca e oportunidade de desenvolvimento.

Reality da Casa Vybbe revela novas compositoras e intérpretes

A Maior Audição do Mundo começou com uma seletiva online e terminou com a premiação de Duda Borges e Bruna Nogueira. Ao longo da imersão, os participantes desenvolveram músicas inéditas, receberam mentorias e tiveram contato com profissionais da Vybbe, da Acertei e com artistas do casting.

A banca avaliadora reuniu nomes como Carlos Aristides, Samuel Aristides, Cléber Show, Jujuba, Menudinho e BK. A proposta foi observar não só a técnica dos participantes, mas também identidade, repertório, capacidade de conexão com o público e potencial de construção de carreira.

A presença de Mari Fernandez e Léo Foguete como embaixadores aproximou a audição do mercado real. Os dois acompanharam etapas do processo e participaram da entrega das premiações. A noite também contou com Rafa Kalimann, Nattan e Gkay.

Léo Foguete se apresenta na Casa Vybbe
Léo Foguete se apresenta na Casa Vybbe (Crédito: Ryan Pinheiro)

Carlinhos Aristides fala sobre escala, São João e novos talentos

CEO da Vybbe, Carlinhos Aristides conversou com o Mundo da Música sobre a operação da empresa durante o São João, o papel econômico da temporada junina, os gargalos logísticos de uma agenda em escala nacional, a construção de carreiras fora do mês de junho e o reality da Casa Vybbe.

Mundo da Música: A Vybbe fala em mais de 320 apresentações no período junino, passando por mais de 170 cidades. O que precisa acontecer antes de junho para essa engrenagem funcionar sem quebrar no meio da temporada?

Carlinhos Aristides: A presença da Vybbe no São João reflete diretamente o crescimento do nosso casting e a relevância dos nossos artistas dentro do mercado. Hoje temos 14 artistas no nosso guarda-chuva, todos nordestinos, e mais do que o volume de mais de 320 apresentações em mais de 170 cidades, isso mostra a nossa capacidade de desenvolver carreiras de forma consistente ao longo do ano. Esse trabalho gera mais demanda, mais relevância e uma ocupação de agenda muito forte em um dos períodos mais importantes da música brasileira.

Para que essa engrenagem funcione, existe um planejamento muito estruturado antes de junho, que envolve agenda, logística, equipe, repertório, posicionamento de cada artista e negociação com contratantes. Também investimos em operação própria, parceiros estratégicos e tecnologia para acompanhar tudo em tempo real. Sem essa preparação e sem disciplina de execução, não é possível sustentar esse volume.

Mundo da Música: Quando se olha para o São João como negócio, quais são hoje as maiores fontes de receita além do cachê dos shows? Marcas, conteúdo, turismo e projetos proprietários já mudam a conta final?

Carlinhos: Hoje o São João já é um ecossistema de negócio muito mais amplo do que só o cachê. As marcas têm um papel importante, principalmente em projetos de médio e longo prazo, não só ativações pontuais. Conteúdo também passou a ser relevante, porque amplia o alcance dos artistas e gera novas oportunidades de monetização.

Turismo e projetos proprietários, como a Casa Vybbe, mudam bastante essa conta. Eles permitem captar valor de outras pontas da cadeia, criando experiências, vendendo ingressos, gerando visibilidade e fortalecendo a marca dos artistas e da própria Vybbe. Isso traz mais previsibilidade e diversificação de receita.

Mundo da Música: Em uma agenda de São João, o artista muitas vezes faz mais de um show por noite e cruza estados em sequência. Onde estão os maiores gargalos dessa operação: transporte, equipe, estrutura local, descanso ou negociação com contratantes?

Carlinhos: O principal gargalo hoje está na logística, especialmente no transporte entre cidades e estados em um intervalo muito curto de tempo. Quando o artista faz mais de um show por noite, qualquer atraso impacta toda a cadeia, então a precisão na operação é fundamental. A estrutura local também pode variar bastante de cidade para cidade, o que exige uma equipe preparada para adaptar rapidamente.

Ao mesmo tempo, o descanso do artista virou uma variável estratégica, porque estamos falando de uma maratona intensa. Por isso, a gente trabalha com planejamento de rotas, equipes paralelas e monitoramento em tempo real para reduzir riscos e manter o nível de entrega, mesmo com um volume tão alto de apresentações.

Mundo da Música: O mercado nacional costuma olhar para a música nordestina com mais força em junho. O que a Vybbe tem feito para que esses artistas não sejam tratados apenas como nomes de temporada?

Carlinhos: Temos um trabalho muito claro de construção de carreira ao longo do ano inteiro. Não dá para aceitar que o artista nordestino seja lembrado só em junho. Investimos em repertório, colaborações, presença digital, lançamentos estratégicos e participação em outros circuitos do país e até fora do Brasil.

O objetivo é posicionar esses artistas dentro do mercado nacional de forma consistente. O São João é um pico de visibilidade, mas ele precisa ser consequência de um trabalho contínuo, não o único momento de relevância.

Mundo da Música: A Casa Vybbe foi para Campina Grande, um dos centros simbólicos do São João. Por que fazia sentido criar um projeto proprietário dentro da festa, em vez de atuar apenas com shows dos artistas do casting?

Carlinhos: A Casa Vybbe já existe em Fortaleza, e o que a gente fez agora foi levá-la para Campina Grande durante o São João. A escolha vem de um olhar estratégico de estar presente em um dos principais eixos da festa, onde existe uma grande circulação entre cidades como Campina, Caruaru, Petrolina e Patos. Campina acaba sendo um dos pontos centrais dentro desse fluxo, o que permite que a Casa Vybbe esteja conectada com tudo o que está acontecendo ao redor.

Mundo da Música: Existe alguma estratégia da Vybbe que vocês consideram decisiva para transformar um artista regional em um nome nacional? O que vocês aprenderam com os casos que deram certo e com os que não deram?

Carlinhos: Transformar um artista regional em nacional passa por um conjunto de fatores, mas principalmente por consistência, estratégia e acesso. Trabalhamos o desenvolvimento artístico junto com inteligência de mercado, construindo repertório, imagem e posicionamento de forma alinhada com o momento de cada artista.

Além disso, a conexão com outros nomes já consolidados é fundamental. Colaborações, feats e presença em grandes palcos aceleram esse processo, porque ampliam alcance e validam o artista em novos públicos. Ao longo do tempo, aprendemos que não existe atalho, os casos que dão certo são os que conseguem equilibrar identidade artística com estratégia de crescimento sustentável.

Mundo da Música: A Casa Vybbe também teve um reality para selecionar novos cantores e compositores. O que vocês buscaram nesses talentos que talvez o mercado tradicional ainda não esteja enxergando?

Carlinhos: No reality da Casa Vybbe, a gente olhou para além da técnica. Claro que talento é essencial, mas buscamos verdade, identidade e capacidade de se conectar com o público. Muitas vezes o mercado tradicional deixa passar artistas que ainda não estão formatados, mas que têm algo único.

A ideia foi encontrar pessoas com potencial de construção, não só de performance imediata. Gente que tenha história, personalidade e disposição para evoluir dentro de um projeto de longo prazo.

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