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“a importância de Ney é atemporal”

Estamos sempre no radar da música nacional e amamos trazer aqui nomes que apostamos que vocês vão ouvir falar muito! Indicado ao Grammy Latino 2025 na categoria Raízes de Língua Portuguesa e com um álbum em homenagem ao Ney Matogrosso vindo aí, entrevistamos o Fitti! Diretamente de Recife, Fitti lançou em 2024 o álbum “Transespacial” […]

“a importância de Ney é atemporal”


Estamos sempre no radar da música nacional e amamos trazer aqui nomes que apostamos que vocês vão ouvir falar muito! Indicado ao Grammy Latino 2025 na categoria Raízes de Língua Portuguesa e com um álbum em homenagem ao Ney Matogrosso vindo aí, entrevistamos o Fitti!

Diretamente de Recife, Fitti lançou em 2024 o álbum “Transespacial” e, com a indicação ao Grammy, se tornou o primeiro cantor trans a chegar na maior premiação da música. Agora, contemplado pelo edital da Natura Musical, Fitti se prepara para alcançar novos palcos, novos lugares e, principalmente, novos ouvintes.

“Transespacial” é uma jornada multi-gênero de Fitti, com faixas que falam sobre autodescoberta trazendo sons que o inspiraram ao longo da vida e mesclando com sintetizadores, beats eletrônicos e um instrumental envolvente. Ao Papelpop, ele conta como enxerga o disco hoje, o impacto de Ney Matogrosso e o que vem por aí.

PAPELPOP: Primeiro de tudo, parabéns pela indicação ao Grammy Latino! Como você recebeu essa notícia? Como foi a comemoração?

FITTI: Quando recebi essa indicação ao Grammy, quando recebi a notícia de que meu álbum foi indicado à categoria Raízes de Língua Portuguesa, eu fiquei extremamente extasiado, porque a real é que eu não esperava isso. E eu recebi muitas ligações no meu celular, muitas mensagens. E foi através de mensagens e ligações do meu produtor Zé Renato, que eu soube desse acontecimento que me deixou passando mal, de bom e feliz. Fiquei feliz demais e precisei de uns dias pra ficha cair.

Você lançou o álbum “Transespacial” em 2024, dois anos atrás, como é ouvir esse disco hoje em dia?

Ouvir o meu álbum “Transespacial” hoje em dia é uma experiência completamente diferente do que antes, porque é como se esse álbum fosse ter uma maneira atemporal. Ele é atemporal, na verdade, porque tem músicas que eu compus muito novinho, né? Ele tem música que compus com 17 anos, outras com 20, outras que fiz em parceria em tempos super difíceis no meio da pandemia, então é como se esses sentimentos que eu vivi nessa época perpassassem também esse tempo de hoje. E é uma coisa que é cíclica, né? Então, escutar “Transespacial” hoje não é a mesma coisa que antes, mas faz muito sentido e eu sinto uma sensação de que sempre vai fazer sentido de formas diferentes com o passar do tempo. Isso é muito, muito legal.

Quais músicas neste disco mexem com você de um jeito diferente até hoje?

Posso dizer que “Lembrança de um Beijo” é uma das músicas do álbum que mais mexe comigo por ter uma relação com a minha raiz. Foi composta por Acioli Neto, nosso grande mestre querido. Quando eu penso em saudade, saudade das pessoas que eu mais amo nessa vida, é inevitável que eu lembre dessa música, que eu me emocione quando eu canto essa música, lembrando das pessoas que eu amo, lembrando das pessoas que eu gostaria muito de estar perto e não posso, que eu não consigo.

Outra é “Feliz e Triste”. Essa coisa dual, de estarmos felizes e tristes e como é saudável a gente estar também contemplando a tristeza, né? Valorizar a tristeza também é importante. “Gata Cinza” também mexe muito comigo. Eu acho que a letra dela já já diz tudo por si só.

Estou curioso para saber em qual momento você se encontra criativamente. O que tem te inspirado? Qual tipo de som você anda a fim de criar ultimamente?

Ultimamente eu tenho vibrado muito na atmosfera do amor. No amor de todos os tipos. Amor de amizades, de pessoas queridas. Amor de rede de afeto. Amor romântico. Amor delicioso. Eu acho que a energia do amor vital. Eu sinto que as minhas criações que estão pairando aqui sobre mim nos últimos tempos e as próximas gravações, os próximos lançamentos, muito provavelmente vão estar com essa temática fortíssima. Eu acho que tá vindo aí um ciclo de músicas mais quentes, quentes em todos os sentidos.

Sei que você está para lançar um álbum cantando Ney Matogrosso. O que está achando da nova geração descobrindo ele agora? Como foi o impacto dele na sua vida?

Ney Matogrosso tem uma importância muito grande na minha vida desde sempre, Desde que eu era pequenininho. Quando eu vi e ouvi Ney pela primeira vez. Alguma coisa mexeu ali dentro de mim. Eu não entendi muito bem. Eu ainda não tinha idade e maturidade para entender em quais lugares o Ney conseguiu mexer ali dentro de mim. E aí, na medida que eu fui crescendo e eu fui entendendo aquilo, fui me entendendo enquanto gente, como pessoa trans, enquanto pessoa que que ama de todas as formas, né?

É muito importante mesmo a existência de Ney na minha vida e na vida das pessoas, da geração dele, das gerações anteriores e da minha geração e das gerações que estão vindo. Ou seja, a importância de Ney é atemporal. É muito massa, muito gostoso mesmo poder homenageá-lo hoje com esse show, com esse álbum que está por vir. Então é cantá-lo e exaltá-lo mesmo, né? Exaltar não só o que Ney é, mas o que Ney traz para gente, mostra pra gente, ensina pra gente. É muito especial mesmo.

Agora, selecionado pelo edital da Natura Musical, quais são os planos?

Ser contemplado pelo edital da Natura Musical foi e está sendo uma das coisas mais especiais na minha carreira musical até hoje. Porque esse edital é um grande suporte, um grande fomento, né?

É a Natura Musical sendo um grande aliado da gente, como artista independente que tá aí no corre, na busca de realizar seu sonho de de levar seu trabalho para muitas pessoas poderem ouvir, poderem conhecer, com a intenção de tocar o coração das pessoas, as cabeças das pessoas, os ouvidos das pessoas. Conhecer gente, né? Porque eu fui contemplado pelo edital de circulação, para circular com meu show, então eu vou poder ir para as cidades que eu sempre quis fazer show, sempre quis estar mais perto, levando o meu som, levando a minha música para essas cidades. Então é extremamente importante. Eu tô ainda tocado com esse acontecimento.





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