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Loyle Carner fala ao TMDQA! sobre a estreia no Brasil: “descobri a música brasileira através do Rap”

Nascido Benjamin Coyle-Larner em 1994, no sul de Londres, Loyle Carner construiu uma discografia única. Em suas composições, temas como luto, paternidade, identidade e saúde mental aparecem sem disfarce, sempre sobre bases que bebem do Jazz e do Soul para desaguar em um resultado único. A estreia Yesterday’s Gone (2017) rendeu ao britânico a primeira […]

Loyle Carner fala ao TMDQA! sobre a estreia no Brasil: "descobri a música brasileira através do Rap"

Nascido Benjamin Coyle-Larner em 1994, no sul de Londres, Loyle Carner construiu uma discografia única. Em suas composições, temas como luto, paternidade, identidade e saúde mental aparecem sem disfarce, sempre sobre bases que bebem do Jazz e do Soul para desaguar em um resultado único.

A estreia Yesterday’s Gone (2017) rendeu ao britânico a primeira indicação ao Mercury Prize; depois, Not Waving, But Drowning (2019) consolidou o nome dele no Reino Unido. Em 2022, hugo propôs um mergulho na questão racial e na relação com o pai, e voltou a figurar entre os finalistas do prêmio considerado um dos mais importantes da música britânica.

Agora, o quarto álbum hopefully !, que saiu em 20 de junho de 2025 pela Island EMI, abriu outra frente: escrito em torno da paternidade e da infância, com a capa colorida pelo filho do rapper, o disco incorpora guitarras e referências de rock alternativo que ele próprio associou a nomes como Fontaines D.C. e Big Thief.

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Essa mudança também alterou a forma como Carner encara o palco. Em conversa com o TMDQA!, ele explica que antes compunha sozinho, “de um jeito meio frio”, e só na turnê descobria como encaixar outras pessoas nas músicas; agora, com o disco nascido do convívio com a banda, a maneira de criar e a de tocar ao vivo passaram a ser a mesma.

Junto com isso veio uma relação mais leve com a plateia, que ele ilustra com uma lembrança de Lianne La Havas silenciando aos poucos um público que vinha de um show de rock barulhento em um festival na Bélgica. Para ele, conseguir que as pessoas fiquem quietas e escutem é o verdadeiro poder da música, algo mais raro do que fazer todo mundo pular.

É com esse espírito que ele chega ao Brasil pela primeira vez. O show acontece em 24 de novembro, no Cine Joia, em São Paulo, com realização da 30e, e tem uma origem curiosa conectada à banda japonesa toe, como ele detalhou mais abaixo em um papo que ainda passou por sua relação de longa data e muito carinho com o Brasil.

Leia a conversa completa logo abaixo!

TMDQA! Entrevista Loyle Carner

TMDQA!: Oi, Loyle! É um prazer bater um papo com você hoje. Vamos começar falando do show. É a sua primeira vez tocando no Brasil, e é algo que vinha sendo planejado há um bom tempo. O que você já ouviu falar sobre tocar aqui? E quão empolgado está para finalmente fazer essa viagem?

Loyle Carner: Muito empolgado, e muito nervoso. Uns amigos meus são de uma banda chamada toe, uma banda japonesa, e eles acabaram de tocar aí…

TMDQA!: Não acredito! Eu quase vim para esta entrevista vestindo a camisa do toe que comprei no show.

Loyle Carner: Você foi? Como foi?

TMDQA!: Fui, sim. Foi incrível.

Loyle Carner: Eles foram a Londres no ano passado, ou no retrasado, e eu fui vê-los pela primeira vez. Conheci o Yama, o guitarrista, de quem sou muito, muito fã, e pensei: “Isso é um sonho realizado para mim”. Parte do motivo de irmos tocar aí é que eles me contaram que iam, e eu pensei: “Uau, se vocês vão, talvez eu devesse tentar também”. Ele me mandou mensagem dizendo que o público foi incrível, um espetáculo.

Claro que é bem diferente para eles, porque estão na estrada há muito tempo e são lendas. Mas estou muito curioso. Estou com muito medo e, ao mesmo tempo, muito empolgado. Acho que é assim que funciona.

TMDQA!: O hopefully ! já tem mais de um ano e é um disco muito expansivo, musicalmente falando, no jeito como você canta, produz e trabalha com a banda. Como foi levar isso para o palco? De que forma esse disco mudou a sua abordagem ao vivo?

Loyle Carner: Ficou tudo mais natural. Antes, eu fazia música de um jeito meio frio, sozinho, muito solo, e depois saía em turnê pensando: “Ok, agora preciso descobrir como outras pessoas podem participar disso e como dividir isso com o público”. Agora, o jeito como fazemos as músicas é o mesmo jeito como tocamos. A gente se junta, faz música, depois sai para tocar em vários lugares e continua junto, só que fazendo aquilo na frente das pessoas.

Não que o público não importe, claro que importa. Mas não existe mais aquela pressão sobre a plateia, do tipo “isto aqui é para vocês, e se vocês não gostarem é uma tragédia”. É mais como: “Ei, vocês estão aqui, eu estou aqui, estou fazendo a minha parte. Espero que gostem, mas, se não gostarem, tudo bem”.

Tirei muito da pressão de cima do público, e acho isso importante, porque quando eu mesmo vou a um show, posso ficar lá no fundo, parado, e estar me divertindo como nunca. Só que, do palco, às vezes você vê aquilo e pensa que a pessoa está odiando. Então aceitar que cada um curte do seu jeito, e curtir também lá em cima, deixa todo mundo mais à vontade. É como dizer: venham com a gente, mas só se quiserem.

TMDQA!: Engraçado você falar isso, porque às vezes a pessoa só está cansada.

Loyle Carner: Ou triste, sabe? Todas as músicas a deixaram triste, ou ela sente falta de alguém com quem costumava ouvir aquilo. Especialmente no Rap, e isso sempre me frustrou, existe a ideia de que todo mundo tem que estar enlouquecido, como se esse fosse o verdadeiro poder da música.

Lembro de ter visto a Lianne La Havas num festival na Bélgica, muito tempo atrás. A gente ia tocar depois dela, num palco menor. Ela entrou depois de uma banda de Rock enorme, ou de Punk, não lembro, e o público estava enlouquecido, fazendo mosh. Aí ela sobe no palco com o violão, não diz nada, começa a tocar e, aos poucos, uma pessoa de cada vez, todo mundo vai ficando quieto, quieto, quieto.

Ali eu percebi que aquilo é poder de verdade, fazer as pessoas escutarem. Qualquer um consegue fazer o público pirar e gritar, e ninguém precisa prestar atenção para gritar. Mas ficar em silêncio e se concentrar é algo muito raro hoje em dia. Então, agora, quando as pessoas estão quietas, eu penso: “Que legal, vocês estão ouvindo”.

TMDQA!: Que bonito. Esse disco também parece o resultado natural da sua evolução, de como a sua música amadureceu. E acho que chegar a palcos maiores, como o do Reading, sobre o qual ainda vamos falar um pouco mais, também foi algo natural para você. Mas imagino que pegar um show desse porte e levá-lo para um palco menor, como vai acontecer no Brasil, seja um desafio, ainda que um bom desafio, para criar aquela atmosfera. Como tem sido planejar esse show?

Loyle Carner: Acho que os shows pequenos sempre dão mais medo. Os grandes, a esta altura, são meio fáceis. Fáceis não, mas você está tão longe do público que, se alguma coisa der errado, existe muito espaço entre vocês, e você nem consegue ver todo mundo. Quanto maior a multidão, mais ela vira um borrão. Está escuro, você distingue algumas pessoas, mas não tem certeza, e não sabe até onde ela vai. Já numa sala pequena, num show seu, você sabe quantos ingressos vendeu, sabe onde as pessoas estão, enxerga lá no fundo, vê quem não está se divertindo. Aí você fica hiperfocado em todo mundo.

Mas é legal, porque o nosso show é pequeno. O show grande que fazemos é uma versão amplificada de um show pequeno. Não é que a gente tenha que encolher nada; quando tocamos num lugar grande, só precisamos de mais telões para ampliar o que fazemos de forma íntima. De certa forma, o show é o mesmo, só que ficamos um pouco mais vulneráveis no palco, o que eu acho bom. Esses são os melhores, porque você sente de verdade as coisas acontecendo. Se todo mundo está em silêncio e alguém deixa o celular cair, eu vou ouvir, sabe? E isso é legal.

TMDQA!: E longe de casa, com todas aquelas pessoas ali para ver você. Deve ser muito especial.

Loyle Carner: É um sonho, um sonho mesmo. Com show, você nunca sabe quem vai aparecer, quantas pessoas vão aparecer. Mas sejam duas, duzentas, duas mil ou duzentas mil, que privilégio é tocar. Acho que, quanto menos gente, às vezes mais você valoriza cada pessoa. Quanto mais gente, mais fácil ficar anestesiado, eu acho.

Não eu, mas amigos meus que são muito maiores do que eu… Vejo eles tocando para 80 mil, 100 mil, 200 mil pessoas e depois dizendo: “Ah, foi ok”. E eu fico: “Como assim, mano? Tanta gente, como você esquece disso?”. Quando o show é pequeno e você consegue ver cada pessoa, você pensa: são 20, 200 pessoas que vieram até aqui.

TMDQA!: Nesse sentido, muita gente está esperando há bastante tempo, já que é a sua primeira vez no Brasil. Você pensa em adaptar o setlist? Você está em turnê com o disco novo, claro, mas tem muita coisa que nunca ouvimos ao vivo por aqui.

Loyle Carner: Uau, é verdade. Nem tinha pensado nisso, porque vai ser a minha primeira vez tocando aí. O setlist é sempre uma mistura, mas eu adoraria saber. Talvez eu precise perguntar às pessoas quais músicas querem ouvir antes que seja tarde demais, porque nunca estive aí.

Também parece uma troca, porque quero saber como é a música aí e como ela vai influenciar a próxima música que eu fizer. Sempre me pareceu um grande fenômeno cultural, e quero ouvir e fazer parte disso.

TMDQA!: A sua música sempre foi muito influenciada pelo Soul e pelo Jazz, e a música brasileira tem muitas raízes nesses gêneros. A música brasileira já o influenciou em algum momento? Ou é algo que, como você disse, você está empolgado para conhecer agora?

Loyle Carner: Sem dúvidas, pela história mesmo, sabe? Pense naquela música do Pharcyde, “Runnin’”, produzida pelo J Dilla. O que é aquilo? É um sample de, meu Deus, alguma coisa do Stan Getz, não lembro qual. [Nota: o sample é de “Saudade Vem Correndo”, faixa de 1963 de Stan Getz e Luiz Bonfá]

Tem muita música assim. Basicamente, acho que descobri a música brasileira através do Rap, através dos samples. Então quero voltar à fonte original de muita coisa, ouvir e entender de onde ela veio de verdade e como evoluiu até hoje.

Acho que o mundo olha para a América do Sul como um todo, e para o Brasil em particular, há muito tempo em busca de inspiração, e quando o resto do mundo alcança, vocês já seguiram em frente. Por isso estou empolgado para estar onde as coisas estão acontecendo de verdade, onde o ritmo está implícito e não forçado, onde ele simplesmente existe no espaço.

Quero ver o máximo de música que eu puder enquanto estiver aí. Vamos ficar mais ou menos uma semana. Também quero sair. Não sou de ir muito às baladas, mas quero ir às festas. Não para dançar, só para ouvir. Talvez para dançar um pouquinho! [risos]

TMDQA!: Acho que você precisa conhecer algumas coisas daqui. O Rap brasileiro é muito subestimado no mundo!

Loyle Carner: Me fala, me fala.

TMDQA!: Entre os clássicos, Racionais MC’s é incrível. Mas tem também muitos artistas mais novos, como o Don L.

Loyle Carner: Don L. Estou anotando, estou anotando.

TMDQA!: E você precisa ouvir a NandaTsunami.

Loyle Carner: Tsunami, beleza. E qual era o primeiro?

TMDQA!: Acho que eles podem ser boas influências para você. Cada um está num ponto diferente do espectro: tem o clássico, tem um som mais moderno e tem um Rap mais melódico.

Loyle Carner: Por favor. Quero ouvir o máximo possível, cara. Obrigado.

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TMDQA!: Obviamente, precisamos falar do show no Reading, em que você tocou com a camisa da Seleção Brasileira. Olhando agora, parece que foi um presságio.

Loyle Carner: Não foi de propósito! Comprei a camisa no Japão, inclusive. O Brasil e o futebol, o Brasil em geral, mas o futebol brasileiro especialmente, foram uma parte enorme da minha infância, e não só dela.

Sempre que tem Copa do Mundo, ou qualquer coisa assim, eu acompanho o Brasil. Não acompanho muito a Inglaterra, porque os britânicos têm umas visões estranhas sobre pessoas que se parecem comigo e jogam futebol, sabe? Então não me sinto muito parte daquilo. Sempre tive essa afinidade com o Brasil, que ao longo das décadas teve alguns dos melhores times do mundo.

A camisa eu comprei no Japão, paguei caro demais por ela e ficava pensando: “Quando vou poder usar isso?”. O Reading foi o meu maior show, e ela é, sinceramente, o meu bem mais precioso, a minha melhor peça de roupa. Então pensei: meu maior show, minha melhor camisa.

TMDQA!: Li que você é torcedor do Liverpool. Você acompanha algum time brasileiro? Tem algum especial?

Loyle Carner: Não, não acompanho nenhum. Acho que só por causa de tantos brasileiros que passaram pelo Liverpool ao longo dos anos: Firmino, Fabinho, Coutinho, umas lendas para mim, e na Premier League como um todo. Toda vez que tinha a chance, eu usava a camisa. Já fui a jogos do Liverpool com a camisa do Brasil.

TMDQA!: Todo mundo entende, não tem problema nenhum. Mas olha, se você vem ao Brasil, precisa tentar ver um jogo!

Loyle Carner: Seria um sonho, sinceramente. Preciso fazer isso acontecer. Talvez você tenha que ir com a gente, cara.

TMDQA!: Provavelmente vai ter pelo menos um jogo do Palmeiras ou do São Paulo, então vale conferir.

Loyle Carner: Qual foi o primeiro time que você falou? Como se escreve? Não conheço esse time.

TMDQA!: P-A-L-M-E-I-R-A-S.

Loyle Carner: Beleza. Se eu for, você vai com a gente, cara. Vamos ver, se você estiver na cidade. Sem pressão.

TMDQA!: Vamos nessa! Para encerrar, porque estamos quase sem tempo: aqui no Tenho Mais Discos Que Amigos!, sempre pedimos aos artistas cinco discos que mudaram a vida deles.

Loyle Carner: Cinco discos que mudaram a minha vida. Isso é muito difícil. Provavelmente Be, do Common. Meu Deus, que pergunta difícil. Voodoo, do D’Angelo. Californication, do Red Hot Chili Peppers. Espera, preciso olhar o meu Spotify para os últimos. Você me pegou de surpresa.

TMDQA!: Enquanto você olha, só quero dizer que estou muito feliz porque provavelmente vou ver o Common pela primeira vez. Vou estar nos Estados Unidos em novembro, e é algo que está na minha lista há muito tempo, principalmente por causa do Be, que é um disco incrível.

Loyle Carner: Nota dez! Olha, tem o álbum do toe com o cervo na capa, que se chama The Book About My Idle Plot on a Vague Anxiety. E acho que talvez só esses, mais todos os discos do David Bowie.

TMDQA!: Maravilha. Loyle, obrigado. Espero que você tenha a melhor experiência possível no Brasil!

Loyle Carner: Valeu demais, mano. Obrigado.

SERVIÇO: Loyle Carner no Brasil em 2026

Realização: 30e
Banco oficial: Itaú Unibanco por meio do Itaú Live

SÃO PAULO
Data:
 24 de novembro de 2026 (terça-feira)
Local: Cine Joia – Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade, São Paulo/SP
Horário de abertura da casa: 19h
Classificação Etária: Entrada e permanência de crianças/adolescentes de 5 a 15 anos de idade, acompanhados dos pais ou responsáveis, e de 16 a 17 anos, desacompanhados dos pais ou responsáveis legais.*
*Sujeito a alteração por Decisão Judicial.

Setores e preços:
Pista – R$162,50 (meia-entrada) | R$ 325,00 (inteira)

Vendas online em: eventim.com.br/LoyleCarner

Bilheteria oficial: Nubank Parque – Rua Palestra Itália, 200  – Portão A – Água Branca, São Paulo/SP
Funcionamento: Terça a sábado das 10h às 17h* | *Não há funcionamento em feriados, emendas de feriados, dias de jogos ou em dias de eventos de outras empresas.



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