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Como o esporte e o mercado de wellness podem se tornar uma plataforma estratégica para artistas e ampliar oportunidades à indústria musical

Assim como o que ecoa pelos fones de ouvido, para muitos dos amantes de academia, molda completamente a experiência do treino, uma grande parcela daqueles que frequentam eventos esportivos já assimilam que a música traz um tempero a mais quando se faz presente. E as marcas e algumas das frentes da indústria musical já estão […]

Mundo da Música


Assim como o que ecoa pelos fones de ouvido, para muitos dos amantes de academia, molda completamente a experiência do treino, uma grande parcela daqueles que frequentam eventos esportivos já assimilam que a música traz um tempero a mais quando se faz presente.

E as marcas e algumas das frentes da indústria musical já estão começando a entrar no jogo, a partir da compreensão de que o esporte pode ser uma plataforma estratégica para carreiras artísticas, sob o aspecto de ampliar oportunidades de publicidade e novos negócios e, inclusive, de fortalecer vínculos e aproximar ainda mais os artistas de seus fãs.

Essa visão pode ser potencializada a outra escala quando entendemos que, hoje, muito mais do que dez anos atrás, o conceito de ‘wellness’ se tornou uma máxima na vida de uma volumosa parte da população. O próprio algoritmo das redes sociais nos mostra, a todo instante, que, mais que nunca, as pessoas se importam e priorizam bem-estar, saúde e exercício físico.

E ter essa dimensão pode ser uma porta de entrada para artistas e para a indústria da música ao pensar estrategicamente em projetos que possam destacar essa união: esportes e música.

Quando o próprio público de um evento identifica uma lacuna importante: a música

A música se tornou um ativo e parte essencial do planejamento estratégico por trás do Costa do Sauípe Open, a segunda maior competição masculina de tênis do país, atrás apenas do Rio Open. E a inserção da música na programação do evento é fruto de um apelo do próprio público.

Na primeira edição, realizada no ano passado em Mata de São João, no litoral norte da Bahia, uma volumosa parcela do público sentiu falta de uma programação musical e pediu à organização para que trouxesse shows na segunda edição, que acontece agora em novembro, de 1º a 8.

(CRÉDITO: Araras Mídia)

Preenchendo a lacuna identificada pelo público, o pedido foi prontamente atendido: Carlinhos Brown, Vitor Kley e a banda Jammil farão shows no Costa do Sauípe Open 2026.

Retornando com o evento reformulado, agora tendo a música como um dos ativos, o Costa do Sauípe Open afirmou, em comunicado, que “a música e o esporte se conectam [no evento] e funcionam como alavanca um para o outro. O público que acompanha as partidas pode estender a experiência para os shows, e os acompanhantes que não têm a mesma relação com o tênis encontram na música, na gastronomia, no lazer e na hotelaria motivos para viver os oito dias no complexo”.

Na verdade, a música é introduzida na segunda edição do ATP Challenger 125 também como uma forma de resgate. Isso porque, entre 2001 e 2011, Costa do Sauípe recebeu 11 edições consecutivas do Brasil Open, competição que reuniu alguns dos principais nomes do circuito mundial. À época, o torneio já convivia com a música, cuja tradição é resgatada agora após forte apelo do público.

Larissa Vasconcelos, Gerente de Comunicações e Marcas do Costa do Sauípe Open, disse, em entrevista ao Mundo da Música, que a retomada da programação musical “tem uma simbologia importante [para a organização do evento], porque reúne esporte, cultura, entretenimento e convivência”.

Ela explica que a música é mais um pilar que reforça o conceito de torneio-destino do Costa do Sauípe Open, que quer que as pessoas que não sejam tão familiarizadas ao tênis e famílias possam ter uma experiência completa que vai além da esportiva. “Queremos que a música faça parte dessa identidade ao longo das próximas edições”, destaca ela.

Eventos que unem música e esporte precisam ter curadoria que reflita uma conexão entre os dois universos

Para além da experiência do público do evento e dos hóspedes do resort, Larissa garante que a organização também está obstinada a pensar na valorização e nas oportunidades de projeção para os artistas envolvidos.

“A cultura baiana tem uma força enorme e faz parte da experiência de Costa do Sauípe. Trazer esses artistas é uma forma de valorizar essa identidade diante de um público formado por pessoas de diferentes regiões do Brasil e de outros países, incluindo atletas, equipes e visitantes. É uma troca que beneficia o evento e também amplia as oportunidades de visibilidade para a música baiana e os grandes artistas que a integram”, pontua.

Os shows serão apresentações mais intimistas, com uma disposição de palco que favoreça a interação dos artistas com quem estiver ali, uma oportunidade pouco comum nesses momentos de celebração com shows de grandes artistas, mas que cria uma memória única para quem a vive.

É aí que mora um outro olhar que é essencial para a construção desse tipo de projeto: pensar na experiência do fã, o de música, o de esporte, ou fã dos dois ao mesmo tempo!

(CRÉDITO: Araras Mídia)

“Pensamos em uma programação que conversasse com diferentes públicos ao longo da semana, valorizasse a cultura baiana, tão presente em Costa do Sauípe, e tivesse conexão com o universo do esporte. Carlinhos Brown tem uma representatividade cultural muito forte, e sua presença na abertura oficial traz um significado especial. O Jammil também tem uma relação muito próxima com a Bahia e foi escolhido para dar ao encerramento esse clima de celebração em grande estilo. Já o Vitor Kley nos interessou pela ligação genuína com o tênis e por trazer um estilo musical complementar para a programação. Ele cresceu perto do esporte, é filho de Ivan Kley, que foi tenista profissional e treinador, e também chegou a competir quando era mais jovem. A ideia foi reunir essas histórias e sonoridades para criar experiências distintas durante a semana, acompanhando a energia do torneio e a diversidade do público”, contou Larissa, mostrando que a curadoria por trás desses eventos precisa ser atenta e, de fato, refletir a junção desses dois universos: da música e do esporte. Isso de maneira que faça sentido e que gere conexão com o público.

Quando a música entra em cena, o jogo com as marcas e patrocinadores muda

Quando um evento abre as portas para a música, a visão estratégica não deve se voltar apenas para a curadoria musical e a programação de shows. É preciso se considerar, ainda, o relacionamento com marcas e patrocinadores envolvidos e as ativações que farão parte da programação.

As ativações de marca, que geram visibilidade para as empresas envolvidas e conferem maior autoridade aos eventos, é uma realidade já há alguns anos em eventos de música, e também nos de esportes, como circuitos de corrida. No caso do Costa do Sauípe Open, se a música entra no escopo do projeto, faz sentido que ela seja encontrada também fora do palco.

“A programação musical amplia as possibilidades de relacionamento das marcas com o público. A Vila do Tênis já é um espaço de convivência e ativações que acompanha o Costa do Sauípe Open, e a música cria novos momentos de circulação e interação, inclusive com os hóspedes de Costa do Sauípe que participam da experiência. Isso abre caminho para iniciativas ligadas aos artistas, sempre que fizerem sentido para a proposta do evento e para as partes envolvidas”, analisa Larissa em entrevista ao Mundo da Música.

A Gerente de Comunicação e Marcas do evento defende, ainda, a ideia de trabalho com as marcas sustentado pela premissa da cocriação. “A gente procura entender os desafios e objetivos de cada marca para desenvolver, em conjunto, ativações mais personalizadas, considerando diferentes possibilidades e formatos”, pontuou, considerando que o evento está aberto a novas ideias e formatos que tragam valor a todas as partes envolvidas.

Bell Marques e os filhos identificaram uma oportunidade para unir o negócio de wellness da família à música

Quando se pensa nessa proposta de união, corriqueiramente ganha espaço na discussão o case de sucesso idealizado pelo cantor soteropolitano Bell Marques e pelos filhos, Rafa e Pipo Marques, também músicos. Um circuito de corrida de rua com provas de 5 e 10km, a Corrida 100% Você se tornou pioneira ao misturar corrida e música ao vivo.

Ao final dos circuitos, os corredores podem assistir a um show ao vivo de Bell e dos filhos. Além de encabeçar o musical, o cantor costuma também participar das provas. O projeto, que teve sua primeira edição em janeiro de 2025, na capital baiana, encerra 2026 com mais de 30 edições realizadas pelo país e no caminho para arrematar o título de maior circuito da América Latina.

“Minha carreira já é bastante consolidada, mas o surgimento de uma marca de sucesso como essa, que une esporte, saúde e música, traz uma renovação incrível para a empresa. Amplia nossos horizontes, mobiliza toda a equipe e cria um ambiente mais positivo, com novas ideias e disposição para crescer”, diz Bell Marques ao Mundo da Música sobre a visão por trás de equilibrar o investimento em sua carreira artística com o desenvolvimento do projeto ligado ao esporte.

Bell compartilha da ideia de que o esporte tem potencial para se tornar uma plataforma estratégica para artistas desenvolverem negócios, fortalecerem suas marcas e criarem novas formas de conexão com o público.

O artista contou que a Corrida 100% você, que veio se expandindo cada vez mais até virar uma turnê pelo Brasil, estreitou laços entre ele e os fãs. “Antes, nossa relação era um pouco mais distante: nosso contato acontecia principalmente nos palcos ou nos trios elétricos. Agora, conseguimos dividir a pista, correr lado a lado, conversar durante o percurso e comemorar juntos na linha de chegada”, celebra o cantor.

(CRÉDITO: Instagram/corridacemporcentovc)

Conexão genuína com a proposta e com o público deve vir antes do atrativo de uma tendência

A maneira como o público assimila e recepciona um projeto como esse é algo crucial para sua sobrevivência. E sustenta um pilar que é inegociável para Bell: “Precisa ter verdade”. Um dos ícones do Carnaval de rua de Salvador, ele relembra que a corrida já faz parte de sua rotina há anos, muito antes de se popularizar e ser vista como é hoje.

“Não acho que funcione entrar em um projeto apenas para aproveitar uma tendência. É preciso ter sintonia com aquilo que você faz, e o público precisa enxergar essa autenticidade”, destaca.

Ele complementa: “Quando isso acontece, o projeto pode, sim, ampliar a carreira e alcançar novos públicos. Mas acredito que a ordem seja essa: primeiro, a verdade e o alinhamento de visão e valores. A partir daí, você trabalha para construir um projeto vitorioso”.

Bell avalia que a chegada da Corrida 100% Você e seu crescimento ajudaram a ampliar horizontes e abrir porta para novas oportunidades, não só na música como também na marca de wellness que ele possui. Desde 2024, Bell atua como sócio-fundador de uma marca de suplementos que leva o mesmo nome da corrida. Trata-se de uma sociedade com os filhos, Rafa e Pipo.

(CRÉDITO: Instagram/corridacemporcentovc)

“Sempre mantive uma presença constante ao longo da minha carreira, minha agenda sempre foi muito cheia, então é difícil expandir ainda mais. Mas a Corrida 100% Você trouxe uma nova repercussão em todo o país. Vimos pessoas estudando o projeto como um case de negócio, compartilhando avaliações da experiência e criando iniciativas semelhantes. Também vimos muita gente começar a correr por causa do projeto. Tudo isso gera um engajamento natural, tanto nas redes sociais quanto nas rodas de conversa. Principalmente no âmbito de marcas parceiras percebemos que abrimos um novo mundo, o do wellness”, analisou Bell em entrevista ao Mundo da Música.

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