O Spotify e a Believe, incluindo a TuneCore, anunciaram nesta terça-feira (20) que assinaram um acordo de licenciamento para uma nova ferramenta na plataforma digital, desenvolvida especificamente para remixes e covers criados com o auxílio de inteligência artificial (IA) — não para a criação de obras totalmente inéditas —, permitindo que os fãs reinterpretem músicas, enquanto os artistas são remunerados.
De acordo com o anúncio da parceria, as reproduções (streams) desses remixes gerarão royalties para os artistas participantes e para os detentores dos direitos das obras originais. A ferramenta será oferecida como um recurso adicional pago para assinantes do Spotify Premium, criando uma fonte de receita extra, que se soma aos ganhos que artistas e compositores já obtêm no Spotify.
Por meio da nova ferramenta do Spotify, as empresas objetivam que os remixes e covers feitos por fãs façam parte de um ambiente licenciado, remunerando artistas e compositores. Cada Remix no Spotify trará um link para a faixa e o artista originais, que buscam incentivar os ouvires a descobrir, ou revisitar, a música original que serviu de inspiração.
Como funciona a participação dos artistas e compositores na ferramenta criada pelo Spotify e a Believe?
A participação na ferramenta do Spotify será totalmente voluntária. Essa iniciativa está alinhada aos princípios de IA responsável estabelecidos pela Believe em 2023, baseados em consentimento, controle, remuneração e transparência. Já o Spotify, destaca que compartilha o compromisso de proteger os artistas e preservar a integridade do ecossistema musical na era da IA, em meio ao desenvolvimento de novas possibilidade criativas e comerciais.
Para garantir que os artistas mantenham o controle sobre o uso de suas músicas, a Believe e a TuneCore adotarão um processo de consentimento em duas etapas:
- Primeiro, os artistas decidem se desejam ser considerados para programas que envolvam IA;
- Em seguida, a parceria com o Spotify será apresentada a quem optou por participar, permitindo que decidam, caso a caso, se desejam aderir ou não.
Em tempo, o Spotify afirma que: “continua a reforçar suas medidas de proteção contra spam, falsidade ideológica e práticas enganosas, evitando que conteúdos de baixa qualidade ou spam gerados por IA apareçam em recomendações, ajudando os ouvintes a identificar quando uma música foi criada por um artista real e oferecendo aos artistas maior controle sobre o conteúdo exibido em seus perfis. Os ouvintes também podem verificar quando os artistas informam o uso de IA em uma faixa, e o Spotify está trabalhando em formas ainda mais eficazes de tornar essa informação facilmente acessível”.
Enquanto que a Believe comunica que: “apoia essas iniciativas, bem como esforços mais amplos em todo o ecossistema de plataformas de streaming (DSPs), voltados para a proteção dos artistas em todas as fases de suas carreiras e para a garantia de um ambiente confiável para a descoberta musical”.
A companhia acrescenta que está aprimorando sua estrutura existente para conteúdos musicais gerados por IA (GenAI) e seus mecanismos de proteção na distribuição, visando fortalecer ainda mais sua abordagem em relação ao uso responsável de IA na criação musical e que, futuramente, trará mais informações sobre essas novidades.
“Há um ano, compartilhamos uma visão com o Spotify: a IA deve criar novas oportunidades para os artistas, protegendo, ao mesmo tempo, seus direitos e o valor de sua música. Hoje, essa parceria coloca tal visão em prática. Juntos, estamos transformando uma prática já bastante difundida — a criação de remixes por fãs — em uma experiência licenciada, que favorece a produção de remixes dentro da plataforma controlada do Spotify e gera receita para os artistas”, afirma Denis Ladegaillerie, fundador e CEO da Believe.
Ladegaillerie acrescenta: “É assim que nossos quatro princípios — consentimento, controle, remuneração e transparência — se traduzem em benefícios concretos para os artistas. Igualmente importante é o nosso compromisso compartilhado com a proteção dos artistas, refletido tanto nos mecanismos de defesa reforçados pelo Spotify contra spam e conteúdos de baixo valor gerados por IA, quanto no trabalho contínuo da Believe para fortalecer sua própria estrutura voltada a conteúdos musicais criados por IA. Esses esforços demonstram como estamos colaborando para eliminar conteúdos de IA de baixa qualidade e transformar a IA em uma ferramenta que gera valor para fãs, artistas e detentores de direitos”.
Por fim, Charlie Hellman, vice-presidente sênior e chefe global de música do Spotify, comentou:
“Quando bem conduzida, a criatividade dos fãs pode aprofundar a conexão entre eles e os artistas que admiram, gerando novo valor para os artistas e direcionando a atenção de volta à música original. Alcançar esse objetivo exige parcerias em todo o setor; a Believe e os artistas independentes têm sido fundamentais para impulsionar a indústria em momentos decisivos. Fico muito satisfeito ao ver que a participação deles fortalece o movimento em prol do consentimento, da remuneração e do devido crédito aos artistas”.

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