A Sony Music está intensificando o combate à fraude em serviços de streaming, em meio a uma onda de músicas geradas por IA que imitam artistas como Harry Styles e Adele. A companhia informou ao Financial Times (FT) que solicitou às plataformas a remoção de mais de 260 mil faixas até o final de setembro, representando quase o dobro das 135 mil cuja remoção havia sido solicitada até março.
A Sony Music afirmou ao FT que o problema das “faixas deepfake de IA generativa que imitam as vozes e a imagem de nossos artistas sem permissão“ está “ocorrendo em larga escala, prejudicando artistas, enganando fãs e minando o uso ético da IA”.
Esses deepfakes, que têm como alvo artistas atuais e consagrados, a exemplo de Britney Spears, Queen e Michael Jackson, fazem parte de um problema mais amplo de fraude que desafia a indústria musical. Os serviços de streaming também estão repletos por faixas geradas em massa por IA, criadas exclusivamente para serem reproduzidas repetidamente por bots; isso gera royalties para seus proprietários, reduzindo o montante disponível para artistas legítimos.
Sony Music: as ações sobre músicas feitas por IA
Dennis Kooker, presidente da divisão de Negócios Digitais Globais da Sony Music, declarou este ano, segundo a Financial Times, que as reproduções fraudulentas podem representar até 10% das faixas em plataformas de streaming de música. Executivos de gravadoras estimam que a fraude no streaming pode custar à indústria até US$ 2,2 bilhões por ano.
“Continuaremos a defender os direitos de nossos artistas e esperamos que as plataformas ajam rapidamente para impedir que o mesmo conteúdo reapareça”, acrescentou a Sony. “Mas essa está se tornando uma batalha árdua.”
Em julho, a Deezer, plataforma global de experiências musicais, anunciou que, pela primeira vez, as faixas geradas por Inteligência Artificial (IA) ultrapassaram a metade do total de novas músicas adicionadas diariamente à plataforma. De acordo com a plataforma, a detecção atingiu seu pico em junho, representando mais de 50% dos uploads, com uma média mensal de 90 mil novos registros de faixas totalmente geradas por IA.
De acordo com o anúncio, a Deezer removerá as faixas sintéticas utilizadas para gerar streams fraudulentos, bem como aquelas que permanecerem sem reproduções por seis meses ou mais. A plataforma afirma que essa iniciativa faz parte do seu compromisso com um ecossistema musical mais saudável. Mais de 13,4 milhões de músicas de áudio geradas por IA foram detectadas e rotuladas na plataforma em 2025.
Um relatório recente da Sonic Intelligence Academy apontou que 92,8% de todas as faixas de IA submetidas ao seu registro foram criadas utilizando a plataforma de geração de música Suno, enquanto a DistroKid foi utilizada para distribuir mais de três quartos das músicas de IA enviadas.
“A fraude de streaming envolvendo IA está rapidamente se tornando uma epidemia para a indústria musical, e esse crescimento exponencial deveria alarmar a todos”, afirmou Jamie Njoku-Goodwin, defensor dos direitos musicais e ex-chefe de estratégia de Rishi Sunak durante o mandato deste como primeiro-ministro do Reino Unido.
“Seja por meio de deepfakes, fazendas de streaming ou conteúdo de baixa qualidade gerado por IA e distribuído em massa, fraudadores organizados parecem estar utilizando plataformas como Suno e DistroKid para lesar artistas”, afirmaram os executivos.
Em tempo, a Sony e a Universal Music estão movendo ações judiciais contra empresas de música baseadas em IA, como a Suno, acusando-as de copiar faixas sem licença para desenvolver os modelos que sustentam seus serviços de geração de música. Um porta-voz da Suno declarou que as alegações das gravadoras eram “fundamentalmente equivocadas, tanto em relação aos fatos quanto à legislação”.
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