Conhecido por sua trajetória como um dos grandes letristas do rap brasileiro, Ogi apresenta uma nova faceta de sua carreira em “Loopcinio Rodrigo, Vol. 1”. O projeto marca o primeiro álbum assinado pelo artista como beatmaker e reúne 16 MCs de diferentes partes do Brasil, convidados para rimar sobre suas produções.
O trabalho já está disponível nas plataformas de streaming e representa o resultado de uma pesquisa de samples realizada por Ogi ao longo de anos. Sob o alter-ego Loopcinio Rodrigo, o artista abre espaço para uma função que, apesar de já fazer parte de seu processo criativo, permanecia menos conhecida do público.
Antes de assumir oficialmente a produção, Ogi já era responsável por criar guias para produtores de seus trabalhos, como “Crônicas da Cidade Cinza” e “RÁ!”. A relação com a produção ganhou ainda mais espaço em seu trabalho mais recente em parceria com niLL, no qual assinou as faixas “Doze Badaladas” e “E O Mundo Todo Sorriu”.
Samples e pesquisa como ponto de partida
Em “Loopcinio Rodrigo, Vol. 1”, Ogi parte de discos obscuros da música mundial para construir suas próprias composições. A produção utiliza o sample, uma das técnicas fundamentais da cultura hip hop, ao lado de gravações realizadas com nomes como Bruno Duprê, Cravinhos, Thiago França e Thiago Ticana.
O resultado percorre diferentes possibilidades dentro da produção do rap, mantendo o boombap como uma das bases do projeto, mas também explorando outras sonoridades.
Entre os exemplos está “Cardio”, faixa meditativa interpretada por Aori, do Rio de Janeiro. Já “Foco No Que É Útil”, com SoulRa, do Mato Grosso do Sul, apresenta uma atmosfera mais solar. Em “Urbanometria”, Jota Ghetto, de São Paulo, conduz a faixa com sua própria abordagem.
Ogi reúne diferentes gerações do rap brasileiro
A proposta de “Loopcinio Rodrigo” também passa pela curadoria de Ogi sobre o atual momento do hip hop nacional. O projeto reúne artistas de diferentes regiões, idades e momentos de carreira, aproximando nomes conhecidos de uma nova geração de MCs.
Além de Aori, Jota Ghetto e SoulRa, participam do álbum Judah (PB), Claudin (RJ), Fleezus (SP), Tifu (SP), Luli (PR), Frugoli (SP), Ahkim (SP), Elo da Corrente (SP), Janvi (PR), Matéria Prima (MG), Mascote (SP), Bia Hoffman (SP) e Thalin (SP).
A estrutura do projeto dialoga diretamente com as tradicionais coletâneas de beatmakers do hip hop, nas quais diferentes MCs são convidados para construir rimas sobre produções de um mesmo artista. Ogi leva essa lógica para seu próprio contexto, colocando sua pesquisa de samples e seu olhar sobre o rap brasileiro no centro da obra.
Skits resgatam referências da cultura hip hop
Outro elemento presente no álbum são os skits, recurso tradicional em discos de hip hop. Para os interlúdios, Ogi contou com roteiro de Ronald Rios, seu camarada de longa data.
Nas intervenções, o beatmaker assume diferentes personagens e situações, aparecendo como uma versão rueira do Dr. Frankenstein, em uma adaptação do agente Solid Snake, de Metal Gear Solid, e também como um personagem extremamente paciente diante da caguetagem de samples.
“Loopcinio Rodrigo, Vol. 1” inaugura uma série que pretende continuar explorando a relação de Ogi com a produção musical e sua pesquisa de samples. Para os próximos volumes, o princípio permanece: investigar diferentes sonoridades e reunir artistas a partir de uma curadoria que reflita, por meio de sotaques, idades e gerações, diferentes perspectivas do rap brasileiro em 2026.
O novo trabalho amplia, assim, a atuação de Ogi dentro da cultura hip hop e apresenta ao público uma faceta do artista construída ao longo de anos de pesquisa e experimentação.
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