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“Faço as pazes com minhas inquietações”

“Blue Island” surge em um “momento especial, curioso e estranho” para Ravyn Lenae. A cantora e compositora estadunidense de 27 anos estreou o terceiro disco de sua carreira na última sexta-feira (07), em todas as plataformas de áudio. “Fiz grande parte do álbum enquanto vivia o ponto mais alto da minha carreira. Muita alegria e […]

(Foto: Divulgação)


“Blue Island” surge em um “momento especial, curioso e estranho” para Ravyn Lenae. A cantora e compositora estadunidense de 27 anos estreou o terceiro disco de sua carreira na última sexta-feira (07), em todas as plataformas de áudio.

“Fiz grande parte do álbum enquanto vivia o ponto mais alto da minha carreira. Muita alegria e validação vieram com essa fase, mas muitas mudanças e inquietações, também”, explicou via video-chamada para o Papelpop.

(Foto: Drew Jarrett/Divulgação)

Ela se refere à guinada provocada por “Love Me Not”, música que chegou com seu segundo disco de estúdio, “Bird’s Eye”, em 2024, mas viralizou nos últimos meses graças a dois fenômenos na internet.

A faixa ficou popular a partir de um mashup com “Losing You”, sucesso de Solange, no TikTok, além de ter se tornado a trilha sonora da despedida de jogadores da Copa do Mundo 2026. Com isso, alcançou a quinta posição na Billboard Hot 100 e a 23ª no Spotify Global.

O viral remexeu a jornada da artista, o que impactou diretamente o projeto mais recente: “Essa experiência me mostrou o que é ser negra na música. Estava em um lugar muito particular na indústria musical e, de repente, fui exposta de um novo jeito”.

Ela conta que teve sua “identidade e negritude questionadas”, pois “as pessoas ficam confusas com garotas negras fazendo música pop e experimentações”. Ao mesmo tempo, sentiu “um empoderamento e uma necessidade de entender” o que quer fazer e dizer com sua carreira.

“Esse álbum, então, sou eu enfrentando e fazendo as pazes com as mudanças e o sentimento que vem com elas, enquanto surfo uma onda incrível”, afirmou. “É fácil se perder nas politicagens e nos algoritmos, mas, às vezes, precisamos pegar nossa perspectiva e fazer a p*rra que queremos fazer”.

Para Lenae, a canção “Babygirl” é “a tese” de “Blue Island”, pois era muito importante ter uma música que descrevesse e narrasse o que acontece em seu dia a dia e o que se passa em sua cabeça. Sua ideia era mostrar um pouco do que é ser uma garota negra no R&B e no pop.

Nessa canção, não à toa, ela não está sozinha. Doechii lhe faz companhia e traz versos com acenos à própria trajetória, sendo “alguém que sabe que seu caminho é diferente dos outros, mas reconhece o lado bom e gratificante disso”.

“Chorei quando a vi ganhar o Grammy – não só porque estava orgulhosa dela, mas porque ela fez um discurso muito poderoso e necessário para garotas como nós. Quando mandei a música para ela, ela respondeu: ‘Você é uma superestrela, p*rra, vamos fazer isso’. Foi perfeito”, relembrou.

Além da rapper, Ravyn tem toda uma lista de colegas de profissão e geração que são, também, seus ídolos e influências: “Kelela, Steve Lacy, Rachel Chinouriri… eles são inspiradores”.

“Não estamos navegando em território inexplorado. Muitos artistas negros vieram antes de nós e nos mostraram que é possível. Então, é interessante estar nessa nova turma de artistas negros, tentando quebrar as barreiras que ainda existem na música e na cultura”, concluiu.





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