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O novo disco de Anitta, ‘EQUILIBRIVM II’, lançado na quinta-feira (23), traz um dos encontros mais potentes da música urbana brasileira ao fechar o projeto com a faixa “OKE”. A música reúne o histórico grupo Brô MC’s e a rapper Katú Mirim, colando o rap indígena no centro das atenções do mercado musical.
“OKE” constrói uma ponte sonora entre o funk, o hip-hop e a música eletrônica. A produção musical é assinada por Carlos do Complexo e Papatinho, trazendo o sample do tradicional ponto de umbanda ‘Cabocla de Pena’.
A letra exalta à resistência e à pluralidade dos povos originários, citando etnias como Pataxó, Tikuna, Terena, Yanomami, Kayapó, Guajajara e Guarani-Kaiowá, acompanhada de versos sobre a vivência no território, como “Nada na mata me mata”. O projeto audiovisual do disco acompanhou essa proposta, contando com a participação de representantes de diversas etnias durante as filmagens da faixa.
Pioneirismo do Brô MC’s no rap nacional.
O Brô MC’s carrega o marco de ser o primeiro grupo de rap indígena do Brasil. Fundado em 2009 por jovens das aldeias Jaguapiru e Bororó, localizadas em Dourados, no Mato Grosso do Sul, o coletivo conta com Bruno Veron, Clemerson Batista, Kelvin Mbaretê, Jhonis e CH MC, rimando em português e na língua Guarani.
Com um histórico de apresentações marcantes, que inclui um show no festival Global Citizen em Nova York no ano de 2024 ao lado de Alok, o grupo enxerga a colaboração como um momento de expansão. “A participação representa uma oportunidade de ampliar a presença indígena na música brasileira mainstream”, destacou CH MC sobre estar na tracklist do trabalho.
Katú Mirim e a vivência indígena urbana.
Rapper, cantora, compositora e ativista de ascendência Boe Bororo, Katú Mirim é uma voz fundamental ao pautar a presença dos povos originários nas metrópoles. Seu trabalho é marcado pelo combate ao apagamento cultural, pelo fortalecimento da luta por demarcação de terras e pela defesa dos direitos LGBTQIAPN+ no contexto indígena.
Reconhecida nacionalmente por ter criado a campanha #ÍndioNãoÉFantasia em 2018 e por fundar o coletivo Tybyra, Katú destacou o impacto do encontro na faixa “OKE”.
“Este feat representa um chamado para a reconexão com nossas raízes, para a valorização dos saberes ancestrais e para a visibilidade que os povos originários sempre mereceram”, afirmou a cantora.

O álbum ‘EQUILIBRIVM II’ chega como sequência do projeto lançado pela cantora em abril e aposta no diálogo entre vertentes da cultura nacional. Ao comentar os bastidores da obra, Anitta ressaltou a atmosfera de troca com as colaborações convidadas.
“O álbum foi composto e produzido no estúdio da minha casa, em ambiente de leveza e criatividade, repleto de artistas que admiro”, declarou.
A presença do Brô MC’s e de Katú Mirim no encerramento da obra fortalece a projeção da cena do rap indígena, levando rimas de resistência, território e ancestralidade às principais plataformas globais.
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