“É a primeira vez que uma travesti faz um show sold out aqui. É uma honra fazer música no Brasil. Eu me vejo em vocês, eu sonho, eu choro, eu sou humano, sou cantora, sou filha, sou amiga, sou mãe de cachorras, sou filha do vento. Eparrey.”
Liniker vive noite de popstar neste sábado (11), no estádio Nubank Parque (ex-Allianz), na abertura de sua nova turnê, “Bye Bye Caju”, em São Paulo.
Numa apresentação de mais de duas horas, a cantora de Araraquara lançou mão de uma estrutura robusta e digna de qualquer grande cantora internacional muito esperada por um séquito ansioso de fãs: toneladas de LED, troca de figurinos, transições pré-gravadas, corpo de bailarinos muito bem ensaiado, banda completa com naipes diversos, backing vocals talentosos, steadycam no palco para visuais ao vivo nos telões e um repertório na ponta da língua.
O show, que finda a era atual e mais pop da cantora, percorre em quatro blocos os dez anos de carreira da cantora que o Brasil viu florescer: na primeira, traz sucessos da época em que era parte da banda com Os Caramelows — o público ainda frio não embalou tanto com a cantora; na segunda, passeia pelo disco “Indigo Borboleta Anil” (2021), que lhe rendeu seu primeiro e de seus quatro prêmios Grammy Latino, e traz ares de um R&B chique, abrasileirado e contemplativo, passando por sucessos como “Clau” e “Baby 95” — aqui a cantora desceu para grade e foi aos braços do público na grade.
Já os blocos finais foram dedicados ao disco em vigência, “Caju” (2024), onde ela e o voz dos fãs constroem um som uníssono de celebração para o projeto de sucesso. O disco, cantado quase inteiro, ganhou novos arranjos, ainda mais opulentes, e se uniram aos singles divulgados pós-disco, “Melhor Notícia” e “Charme”. Priscila Senna, voz de sucesso do Pernambuco, foi a única convidado e uniu vocais em “Pote de Ouro”.
A cantora enfrentou problemas técnicos no começo da noite. O som de seu microfone não estava bem equacionado com os sons de sua banda, que dominavam o estádio, dificultando ouvir sua voz com clareza.
No entanto, com o decorrer do show, os volumes dos sons se alinharam e construíram uma cama para ela, seu talento e carisma brilharem.
“Um sonho viver isso. Que alegria viver isso com vocês. Estar e cantar com vocês. É noite de festa”, disse no palco.
De fato, a festa aconteceu em cima e embaixo com a plateia, que preenchia todos os setores do estádio. A cantora de multidões, como ela diz, e, agora, vê sagrar-se diante dos seus olhos. Numa chuva de papeis picados brancos ao som do instrumental de “Charme”, a noite coroou o título de diva pop do Brasil, que é dela.
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