As cidades de Parintins e Olímpia oficializam uma parceria inédita entre dois polos importantes da cultura popular brasileira. O convênio de cooperação cultural aproxima a Capital do Boi-Bumbá, no Amazonas, da Capital Nacional do Folclore, no interior paulista, com a proposta de trocar experiências sobre festivais, turismo cultural, economia criativa e preservação de tradições.
O acordo foi firmado no domingo (28), durante visita oficial da comitiva de Olímpia a Parintins, liderada pelo prefeito Geninho Zuliani, a convite do prefeito Mateus Assayag. Também participaram da agenda o vice-prefeito Dr. Márcio Iquegami, a secretária municipal de Cultura e Defesa do Folclore, Priscila Foresti, e o secretário municipal de Turismo, Beto Puttini.
A aproximação ocorre em um momento em que os dois eventos ajudam a mostrar como o folclore brasileiro movimenta muito mais do que o calendário cultural. Em Parintins, a disputa entre Caprichoso e Garantido atrai turistas, gera trabalho para artistas, artesãos, costureiras, músicos e comerciantes, além de projetar a cultura amazônica para fora da região. Em Olímpia, o Festival do Folclore, o FEFOL, reúne grupos de várias partes do país e mantém uma agenda de preservação que passa por escolas, grupos tradicionais, museu, apresentações e formação de público.
O peso econômico de Parintins
O Festival de Parintins se consolidou como uma das festas populares mais importantes do país também pelos números que produz. Dados da Amazonastur mostram que, entre 2019 e 2025, o evento recebeu mais de 527 mil turistas, com média de cerca de 105 mil visitantes por edição realizada, considerando que a festa não aconteceu em 2020 e 2021 por causa da pandemia.
A movimentação econômica esperada para a edição de 2025 foi estimada em mais de R$ 184 milhões. Entre 2019 e 2026, a projeção do governo estadual indica que o festival pode se aproximar de R$ 700 milhões injetados no município. Esse dinheiro aparece em hotéis, transporte, alimentação, vendas informais, serviços, artesanato e atividades ligadas diretamente aos bois.
Outro dado ajuda a entender a capilaridade da festa. Em 2025, as feiras de artesanato indígena e economia solidária ligadas ao festival movimentaram mais de R$ 3,2 milhões em vendas e receberam público superior a 180 mil pessoas entre os dias 24 e 29 de junho. Só a Mostra de Artesanato e Economia Solidária reuniu 73 artesãos e empreendedores de Parintins, Barreirinha e Nhamundá.
Essa cadeia mostra que o boi-bumbá não funciona apenas como espetáculo de arena. Ele organiza uma economia de saberes manuais, figurinos, alegorias, música, dança, comida, transporte e turismo. Segundo o Iphan, o Complexo Cultural do Boi-Bumbá do Médio Amazonas e Parintins é reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil desde 2018.
O FEFOL como vitrine nacional
Em Olímpia, o Festival do Folclore chega a 2026 em sua 62ª edição. A programação acontece de 1º a 9 de agosto, no Recinto do Folclore “Professor José Sant’anna”, com o tema “Aquele Abraço” e homenagem ao Rio de Janeiro. A edição reúne mais de 70 grupos, com representantes de 21 estados, cerca de 2,8 mil artistas e 18 estreias.
O FEFOL tem uma característica diferente de Parintins. Enquanto a festa amazonense gira em torno da disputa entre os dois bois e da força estética do espetáculo de arena, o festival paulista funciona como uma vitrine de manifestações populares de várias regiões do país. O público encontra folias, danças, reisados, grupos indígenas, tradições afro-brasileiras, expressões caipiras, brincadeiras populares e manifestações ligadas a diferentes ciclos festivos.
Essa diferença torna a parceria interessante. Parintins pode contribuir com sua experiência em produção de espetáculo, turismo de grande escala, cadeia criativa e construção de marca cultural. Olímpia, por sua vez, leva a experiência de um festival que trabalha a diversidade do folclore brasileiro como eixo central, com grupos vindos de várias regiões e uma relação histórica com a educação patrimonial.
Intercâmbio entre gestão, turismo e tradição
O convênio prevê intercâmbios culturais, participação institucional em eventos oficiais, promoção conjunta dos destinos turísticos, oficinas, seminários, apresentações artísticas e troca de experiências sobre organização de festivais. A comitiva de Olímpia acompanha a estrutura do Festival de Parintins, participa de reuniões técnicas e conhece os bastidores do evento.
A relação entre as duas cidades começou no início de 2026, quando a secretária de Cultura de Parintins, Rozenilce Santos, visitou Olímpia para conhecer a estrutura do FEFOL e discutir possibilidades de cooperação. Agora, o movimento ganha forma institucional e deve gerar ações ainda este ano, envolvendo artistas, grupos folclóricos, gestores culturais e representantes do turismo.
“Estamos construindo uma ponte cultural entre duas referências nacionais da cultura popular. Olímpia e Parintins compartilham o mesmo compromisso de preservar nossas tradições e manter viva a identidade do povo brasileiro. Essa parceria amplia horizontes, fortalece nossas políticas públicas de cultura e cria oportunidades para que possamos aprender uns com os outros, levando ainda mais qualidade ao Festival do Folclore de Olímpia e valorizando nossas manifestações culturais”, destacou Geninho Zuliani.
A parceria também aponta para uma discussão maior no Brasil. Festas populares não são apenas celebrações locais. Elas movimentam cadeias produtivas, criam trabalho, sustentam memórias coletivas e ajudam cidades a se posicionarem no mapa turístico. Ao aproximar Parintins e Olímpia, o convênio coloca o folclore como política pública, economia e identidade cultural ao mesmo tempo.
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