PUBLICIDADE

Quaest e YouTube mapeiam quadrilhas juninas e mostram bastidor com até 300 pessoas por grupo

As quadrilhas juninas ganharam um novo retrato a partir de uma pesquisa inédita realizada pela Quaest em parceria com o YouTube. O estudo mostra que os grupos se transformaram em grandes espetáculos, com presença digital, organização profissional e impacto econômico, mas sem perder o vínculo comunitário que sustenta essa tradição no Brasil. Realizado entre 8 […]

Quadrilhas juninas são tema de estudo Quaest e YouTube


As quadrilhas juninas ganharam um novo retrato a partir de uma pesquisa inédita realizada pela Quaest em parceria com o YouTube. O estudo mostra que os grupos se transformaram em grandes espetáculos, com presença digital, organização profissional e impacto econômico, mas sem perder o vínculo comunitário que sustenta essa tradição no Brasil.

Realizado entre 8 e 21 de maio, o levantamento combinou entrevistas presenciais e virtuais, mapeamento territorial e análise de Social Listening Digital, método usado para observar conversas, comportamentos e interesses nas redes sociais. A pesquisa ouviu integrantes do movimento junino em diferentes estados e trouxe um recorte especial sobre Campina Grande, na Paraíba, cidade cujo São João foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Estado.

A proposta foi observar as quadrilhas como uma manifestação viva, marcada por criação artística, gestão coletiva, transmissão de saberes, busca por recursos e ocupação de territórios. O resultado ajuda a entender por que esses grupos deixaram de ser vistos apenas como atrações de festa e passaram a ocupar um lugar estratégico na cultura popular brasileira.

Festa junina (Crédito: Italo Crespi)

Levantamento ouviu 25 grupos e detalhou a força dos bastidores

Para chegar a esse diagnóstico, a pesquisa realizou 25 entrevistas em profundidade, algumas delas com pequenos grupos. Desse total, 11 aconteceram presencialmente em Campina Grande e 14 foram feitas de forma on-line. O cruzamento entre escuta direta, mapeamento territorial e análise digital permitiu observar não só o que aparece no palco, mas também a estrutura que mantém as quadrilhas em atividade.

O recorte de Campina Grande dá uma dimensão mais concreta desse processo. A cidade, uma das principais vitrines do São João no Brasil, teve 14 quadrilhas pesquisadas. Entre elas, 6 são presididas por mulheres, dado que mostra a presença feminina em funções de decisão, articulação e gestão cultural.

A pesquisa também aponta que os grupos envolvem de 100 a mais de 300 pessoas, considerando dançarinos, dirigentes, costureiras, cenógrafos, músicos, equipes de apoio e produção. Isso significa que, por trás de cada apresentação, há uma cadeia de trabalho que passa por figurino, maquiagem, cenografia, música, transporte, comunicação, captação de recursos e organização de concursos.

Essa estrutura, no entanto, não garante estabilidade financeira. Segundo o estudo, todos os grupos pesquisados precisam buscar recursos em editais e programas de incentivo. Para acessar esses caminhos, a formalização virou parte da rotina, com o surgimento de ligas, federações e associações que organizam calendários, concursos e premiações.

Grupos unem tradição, espetáculo e gestão coletiva

Festa junina (Crédito: Emanuel Tadeu) pesquisa
Festa junina (Crédito: Emanuel Tadeu)

A profissionalização das quadrilhas aparece como uma resposta à própria complexidade dos espetáculos. Hoje, muitos grupos trabalham com narrativas, temas anuais, figurinos elaborados, cenários, trilhas, ensaios prolongados e planejamento de circulação. Ao mesmo tempo, seguem ligados aos bairros, às famílias e às redes de apoio que formam a base do movimento junino.

“Para além da beleza estética e cultural, dos concursos e festivais, as Quadrilhas Juninas funcionam como potentes vetores de progresso social no Brasil. Os dados revelam um impacto profundo na base da sociedade e nos territórios onde atuam: elas transformam realidades de vulnerabilidades sociais, promovem a inclusão e criam redes de apoio essenciais para os quadrilheiros. Elas se tornaram projetos de vida em seus territórios, criando laços de pertencimento”, diz Nathalia Bernis, gerente de Sustentabilidade e Riscos da Quaest.

O estudo também aponta a presença de pessoas de diferentes gerações, incluindo jovens, moradores de periferias e integrantes com trajetórias diversas de renda, raça, religião e vivência social. As quadrilhas funcionam como espaços de convivência, proteção e continuidade cultural.

Mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ ocupam papéis centrais

Outro ponto destacado pela pesquisa é a atuação das mulheres nas quadrilhas. Elas aparecem em funções de presidência, coordenação de eventos, gestão financeira, direção coreográfica e comunicação institucional. Também surgem como fundadoras, articuladoras e responsáveis por parte essencial da produção visual dos grupos, especialmente figurinos, adereços e elementos cênicos.

Em Campina Grande, o dado das 6 presidentes entre as 14 quadrilhas pesquisadas ajuda a mostrar como a liderança feminina está diretamente ligada à permanência e ao crescimento dessas organizações, tanto na parte artística quanto na gestão cotidiana.

A pesquisa também identifica as quadrilhas como espaços de acolhimento, liberdade de expressão e afirmação identitária para pessoas LGBTQIAPN+. Em alguns grupos mais profissionalizados, essa presença chega a ser majoritária. Entre os avanços observados estão a criação da rainha da diversidade, o reconhecimento de damas trans e transformistas e o uso de drag queens como linguagem artística dentro dos espetáculos.

Esse ponto é importante porque mostra que a tradição junina não está congelada no tempo. Ao contrário, ela segue se adaptando às transformações sociais e criando novas formas de pertencimento, sem abandonar os símbolos populares que dão identidade ao movimento.

YouTube vira vitrine, acervo e ferramenta de pesquisa

Transmissão do São João de Campina Grande no YouTube
Transmissão do São João de Campina Grande no YouTube (Crédito: Reprodução)

As plataformas digitais já fazem parte da rotina das quadrilhas. Segundo o levantamento, elas funcionam como espaço de divulgação, memória, aprendizado e reconhecimento. O YouTube aparece como vitrine para apresentações, acervo permanente e fonte de pesquisa estética para grupos que observam figurinos, coreografias, cenografias e formatos de espetáculo.

“O YouTube tem orgulho de apoiar o São João de Campina Grande pelo segundo ano consecutivo, agora apresentando dados de uma pesquisa que reforça a importância de quem mantém essa cultura viva. Reconhecemos que São João não é apenas uma festa; é patrimônio cultural do nosso país e que atrai milhões de pessoas para celebrar as tradições juninas com música, dança, alegria, e paixão”, comenta Alana Rizzo, líder de políticas públicas do YouTube.

A iniciativa também inclui três curta-documentários produzidos pelo canal Amado Mundo em Campina Grande, Caruaru, em Pernambuco, e Amargosa, na Bahia. Os filmes tratam dos saberes e histórias das quadrilhas e criam um acervo audiovisual permanente sobre o tema.

“Esta é uma pequena amostra de um fantástico e divertido mundo que o Brasil, infelizmente, conhece muito pouco. É alegria para um canal que tem diversidade no seu DNA poder contar um pouco dessas histórias. A parceria com o YouTube e a Quest é uma aposta na força da diversidade brasileira”, diz Guilherme Amado, publisher do Amado Mundo.

A pesquisa faz parte do projeto Viva Junina, programa de valorização das quadrilhas juninas do Nordeste, viabilizado pela Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura. Ao mapear esse universo, o estudo mostra que as quadrilhas movimentam cultura, trabalho, tecnologia, pertencimento e memória em uma mesma engrenagem.

Leia mais:



Fonte

Leia mais