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BMG entra na disputa contra a Anthropic e aponta uso de letras protegidas, pirataria e cópias no treinamento do Claude

A BMG aumentou, nesta semana, a pressão da indústria musical sobre empresas de inteligência artificial ao processar a Anthropic, dona do chatbot Claude, por violação de direitos autorais. A ação foi apresentada em um tribunal federal da Califórnia e coloca 493 composições no centro da disputa, com acusações que vão de treinamento sem licença a […]

BMG e Anthropic


A BMG aumentou, nesta semana, a pressão da indústria musical sobre empresas de inteligência artificial ao processar a Anthropic, dona do chatbot Claude, por violação de direitos autorais. A ação foi apresentada em um tribunal federal da Califórnia e coloca 493 composições no centro da disputa, com acusações que vão de treinamento sem licença a cópias não autorizadas, uso de material pirateado e retirada de informações de gestão de direitos.

O caso ajuda a mostrar como a discussão sobre IA e música está ficando cada vez mais ampla. Se no começo o debate girava mais em torno do treinamento de modelos com obras protegidas, agora as ações judiciais estão mirando também as etapas intermediárias desse processo, como a origem dos arquivos, a forma de tratamento do material e o tipo de resposta entregue ao usuário. A nova ofensiva da editora e gestora musical alemã vai exatamente nessa direção.

Isso significa que a briga deixou de ser apenas sobre “a IA aprende com conteúdo protegido?”. A pergunta passou a ser mais detalhada: de onde esse conteúdo veio, quantas cópias foram feitas, se houve circulação ilegal de arquivos e se a ferramenta consegue reproduzir trechos que concorrem com o mercado original. Para as editoras e os compositores, esse é o ponto mais sensível da discussão.

O que a BMG diz que a Anthropic fez

Na ação, a BMG afirma que a Anthropic usou letras de músicas de seu catálogo para treinar o Claude sem autorização. O processo também sustenta que a empresa fez cópias adicionais dessas obras ao limpar, processar, codificar e ajustar os dados usados no treinamento do modelo. Segundo o documento, o fato de o Claude conseguir devolver trechos muito próximos das letras originais seria um indício de que esse material foi incorporado ao treinamento.

A acusação vai além. A editora também diz que a Anthropic obteve cópias não autorizadas de livros e textos pirateados por meio de torrent, inclusive materiais que continham obras sob controle da BMG. Nesse ponto, o processo tenta separar duas frentes de possível infração: uma ligada ao treinamento do modelo e outra ligada ao próprio ato de baixar, manter e compartilhar esse acervo irregular. É uma estratégia importante porque aumenta o alcance jurídico da ação e reduz a chance de o caso ficar preso apenas ao debate sobre uso generativo.

Crédito: Sora Shimazaki

Outro trecho relevante trata das chamadas informações de gestão de direitos, como créditos e dados que ajudam a identificar a obra e seus titulares. A BMG sustenta que o Claude entrega letras sem esses dados e que isso não seria acidental, mas resultado do modo como a Anthropic processa o material. Para o mercado musical, essa parte tem um peso especial porque mexe com rastreabilidade, atribuição e licenciamento, três pilares básicos da remuneração autoral.

Por que esse processo importa para o mercado musical

O processo da BMG chega poucas semanas depois de outra frente importante contra a Anthropic. Em janeiro de 2026, Universal Music Publishing Group, Concord e ABKCO expandiram a ação que já moviam contra a empresa e passaram a cobrir mais de 20 mil músicas, com potencial de danos bilionários. Agora, a entrada da BMG mostra que o embate não está restrito a um grupo isolado de editoras. Há uma movimentação mais coordenada do setor para delimitar até onde empresas de IA podem ir sem licença.

Isso também muda o tom da conversa sobre acordos entre música e IA. A própria BMG afirmou, por meio de porta-voz, que vê espaço para a IA generativa como ferramenta de apoio à criatividade, desde que exista permissão e remuneração. Em outras palavras, a discussão não é simplesmente contra a tecnologia. O ponto é quem paga, quem autoriza e quais dados podem ser usados comercialmente.

Há ainda um pano de fundo jurídico importante. Em 2025, um juiz decidiu que o uso de livros protegidos para treinamento podia ser enquadrado como uso justo em determinadas circunstâncias, mas diferenciou esse entendimento da manutenção de uma biblioteca permanente com cópias pirateadas, que não recebeu a mesma proteção. Essa distinção ajuda a explicar por que ações recentes, inclusive a da BMG, dedicam tanta atenção à suposta pirataria e ao armazenamento de arquivos.

Para os compositores, as editoras e plataformas, o caso pode influenciar o desenho de futuras licenças para treinamento de IA e regras de atribuição. E para a Anthropic, o peso não é pequeno: a ação cita a avaliação recente de US$ 380 bilhões da empresa e argumenta que parte desse valor foi construída sobre obras usadas sem autorização. O recado da indústria é de que o avanço da IA musical passa, cada vez mais, pelo tribunal. 

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