Em entrevista exclusiva para o Podpah, o rapper aborda o processo criativo sensorial de sua nova obra, a importância da escuta e a renovação do rap feminino no Brasil.
O rapper e pensador Emicida revelou detalhes profundos sobre sua atual fase artística e a construção de seu novo espetáculo. Definido pelo artista como uma “vivência” que integra múltiplas formas de arte, o projeto busca desafiar a lógica acelerada do consumo digital, convidando o público a uma experiência de desaceleração e escuta ativa.
A Homenagem aos Racionais MC’s
Um dos pontos centrais da conversa foi a relação de Emicida com os Racionais MC’s. O artista destacou a coragem necessária para realizar uma homenagem original e sensível ao grupo, buscando transcender estereótipos e evidenciar a complexidade lírica de Mano Brown e seus parceiros.
Emicida descreveu o apoio recebido pelo grupo desde o início de sua carreira como um marco fundamental, ressaltando a generosidade dos veteranos ao convidá-lo para abrir seus shows em um período de desafios na indústria fonográfica.
Processo Criativo e Dimensão Afetiva
A nova obra de Emicida incorpora elementos sensoriais e sons do cotidiano, como o barulho da chuva e da natureza, simbolizando o valor do presente. O artista explicou que a produção envolveu um cuidado minucioso com samples e momentos instrumentais que funcionam como “limpeza de paladar” entre as faixas.
Um dos momentos mais sensíveis do relato foi a inclusão de áudios de sua mãe no álbum. Emicida descreveu o processo como doloroso, porém necessário para evocar a presença e o afeto, transformando o luto em uma convivência simbólica através da arte.
Renovação e o Papel das Mulheres no Rap
Ao analisar o cenário atual, Emicida foi enfático ao elogiar a potência do rap feminino. Citou nomes como Duquesa, Júlia Costa, Nanda Tsunami e Ébony como figuras fundamentais para a inovação do gênero. O rapper criticou o preconceito histórico contra as mulheres na cultura Hip Hop e defendeu a legitimidade de suas vozes na construção da nova música brasileira.
Filosofia Ubuntu e a Masculinidade
O conceito de Ubuntu (“Eu sou porque nós somos”) foi utilizado pelo artista para explicar sua visão de comunidade. Emicida defendeu o termo “é nós” como uma expressão de humanidade compartilhada. Além disso, propôs uma reflexão sobre a masculinidade contemporânea, criticando a repressão emocional e defendendo a evolução para modelos mais saudáveis e conscientes de comportamento social.
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