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UMG cresce 5,7% em 2025, mas desaceleração do streaming e debate sobre IA marcam balanço da Universal Music

O Universal Music Group (UMG) divulgou seus resultados financeiros referentes ao quarto trimestre e ao ano completo de 2025 com um cenário que mistura crescimento moderado, mudanças estratégicas e sinais de desaceleração no streaming. A companhia registrou receita anual de €12,51 bilhões em 2025, alta de 5,7% em relação ao ano anterior, enquanto o quarto […]

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O Universal Music Group (UMG) divulgou seus resultados financeiros referentes ao quarto trimestre e ao ano completo de 2025 com um cenário que mistura crescimento moderado, mudanças estratégicas e sinais de desaceleração no streaming. A companhia registrou receita anual de €12,51 bilhões em 2025, alta de 5,7% em relação ao ano anterior, enquanto o quarto trimestre atingiu €3,61 bilhões.

Mesmo com o avanço nas receitas, o relatório indica um mercado em transformação. A expansão do streaming pago perdeu velocidade em mercados maduros, ao mesmo tempo em que novas frentes de negócio começam a ganhar protagonismo, como experiências para superfãs, parcerias com inteligência artificial e presença em mercados emergentes.

O resultado anual também mostrou lucro líquido de €1,53 bilhão, abaixo dos €2,09 bilhões registrados em 2024. A companhia atribuiu parte dessa queda às oscilações no valor de participações que mantém em empresas listadas em bolsa, como Spotify e Tencent Music.

Streaming cresce, mas em ritmo menor

O streaming continua sendo a principal fonte de receita da UMG, embora o crescimento esteja menos acelerado. No quarto trimestre de 2025, a divisão de música gravada gerou €2,77 bilhões, impulsionada principalmente pelas plataformas digitais.

Dentro desse segmento, as receitas de streaming por assinatura alcançaram €1,26 bilhão no trimestre, crescimento de 7,7% em moeda constante. Já a receita total de streaming da música gravada chegou a €1,64 bilhão.

No acumulado do ano, o streaming de música gravada somou €6,32 bilhões, alta de 4,7%. O resultado reflete o crescimento do número global de assinantes, mas também evidencia que o setor começa a enfrentar uma fase de maturidade em países onde o streaming já domina o consumo musical.

Outros formatos também contribuíram para o desempenho. As vendas físicas cresceram 21,3% no quarto trimestre, chegando a €524 milhões, impulsionadas principalmente pelo vinil nos Estados Unidos e na Europa.

Inteligência artificial entra no centro da estratégia

Sir Lucian Grainge, presidente e CEO da UMG (Crédito: Divulgação)

Durante a apresentação dos resultados para investidores, o presidente e CEO Lucian Grainge dedicou um tempo considerável da conversa ao papel da inteligência artificial no futuro da companhia. Segundo ele, parte do mercado financeiro tem observado a relação entre IA e indústria criativa apenas pelo prisma do risco, mas a visão da empresa é diferente.

“Estou muito consciente de que uma grande parte da comunidade de investidores olha para a interseção entre inteligência artificial e mídia e vê apenas alguns dos riscos. Quero deixar muito claro que discordamos dessa visão. Acreditamos que a IA representa oportunidades comerciais sem precedentes para a UMG e nossos artistas, tanto no curto quanto no longo prazo.”

A empresa já firmou parcerias com companhias de tecnologia como NVIDIA, Stability AI, Udio e Splice, todas voltadas ao desenvolvimento de ferramentas de criação e experiências para fãs baseadas em IA.

De acordo com a UMG, a estratégia envolve desenvolver novos formatos de consumo musical e produtos digitais personalizados, sempre com foco em controle criativo e proteção de direitos autorais.

Música gerada por IA ainda tem impacto mínimo

Outro ponto abordado na conferência foi a preocupação recorrente do mercado com uma possível “diluição” de receitas causada por músicas criadas por inteligência artificial. Segundo Michael Nash, diretor digital da empresa, os dados atuais indicam que esse impacto é praticamente inexistente.

“O conteúdo de IA mais ouvido mal aparece nas métricas.”

Ele explicou que os principais artistas gerados por IA ficaram entre as posições 7.049 e 92.141 nos rankings globais de streaming em 2025. Além disso, o consumo total desse tipo de conteúdo representou menos de 0,5% das audições nas plataformas digitais, de acordo com os dados analisados pela companhia.

As plataformas também vêm adotando mecanismos de filtragem. Em um exemplo citado pela empresa, cerca de 85% das reproduções de músicas geradas por IA na Deezer foram classificadas como fraudulentas e excluídas da distribuição de royalties.

Superfãs e expansão global entram no radar

Superfans / superfãs - Live Nation
Crédito: Unsplash

Outro eixo estratégico destacado pela Universal envolve a monetização de superfãs. O grupo afirma que esse público ainda gera menos receita do que poderia. Hoje a companhia opera cerca de 1.600 lojas online diretas ao consumidor, que juntas já movimentam centenas de milhões de dólares em vendas de produtos e experiências relacionadas a artistas.

A estratégia inclui parcerias com plataformas como Stationhead e Even, que ajudam a organizar eventos digitais, pré-lançamentos e campanhas voltadas aos fãs mais engajados. Além disso, a empresa segue investindo em mercados emergentes. Um exemplo citado foi a Índia, onde a companhia adquiriu participação no estúdio Excel Entertainment, reforçando sua presença em um dos mercados musicais que mais crescem no mundo.

Planos para a bolsa nos EUA foram pausados

O relatório também trouxe uma decisão importante do ponto de vista financeiro: a UMG decidiu suspender, por enquanto, a ideia de uma listagem secundária de ações nos Estados Unidos. Segundo a companhia, a volatilidade do mercado e a avaliação atual das ações tornaram o momento pouco favorável para essa operação.

A decisão ocorre mesmo após pressão do fundo Pershing Square, que defendia a listagem para aumentar o interesse de investidores americanos e ampliar a cobertura de analistas sobre a empresa. Apesar disso, as ações da UMG registraram leve alta após a divulgação dos resultados, fechando o pregão em cerca de €19,36 no mercado europeu.

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