Enquanto São Paulo se prepara para esse furacão hispano cantante chamado Bad Bunny, um dos assuntos que está tirando o sono de mais de uma celebridade no Brasil não é como conseguir convites pro show mas, sim, como fazer para assistir desde dentro de “La Casita”. Convidamos Carlos Taran para nos contar como foi sua experiência dentro da casa mais vigiada do mundo (da música).
Como é assistir ao show de Bad Bunny direto da ‘Casita’
O lançamento do disco “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”, em janeiro de 2025, foi acompanhado pelo anúncio da “residência” intitulada “No me quiero ir de aquí”, uma série 30 shows (que acabaram sendo 31) entre os meses de julho e setembro no Coliseo de San Juan, principal arena de Puerto Rico (“El Choli”, pros locais). Foi lá que tive a sorte de assistir este maravilhoso show, por duas vezes. O primeiro deles desde dentro de “La casita”.
Fui a Porto Rico porque um dos artistas que representamos na Music Tour (Jorge Drexler) estava na “Isla del Encanto” trabalhando no que seria seu mais novo disco, esperado para março de 2026, aliás. Era sexta-feira, 22 de agosto e, se bem eu sabia que pela noite iriamos ao show do Bad Bunny, foi só durante o almoço com Jorge e a equipe de management (Presser, Polo Montalvo e eu) que soube que tínhamos sido convidados pra assistir o show desde “La casita”. Wow! pensei.

Só agora percebo que estávamos os mesmos que no dia em que conheci – mas não reconheci – Bad Bunny, em 2021, no camarim do Residente no Latin Grammy, em Las Vegas. Mas essa é outra história, conto um outro dia…
Entramos pelo backstage e já, dali, dava pra sentir a energia das quase 15.000 pessoas que lotavam a casa. A caminho da casita, passamos ao lado do palco principal, que contava com uma impressionante cenografia de uma montanha e, no meio, um LED horizontal com formato de outdoor (entendedores entenderão). La casita ficava no final da plateia, no centro, um pouquinho mais atrás de onde normalmente costuma ficar a house mix.
Antes do que mais nada, uma confissão: Eu fui ao show sem fazer a menor ideia da temática ou do roteiro do show. E fiz isso de propósito! Costumo fazer isso com alguns filmes, livros, discos… Gosto do inusitado, do inesperado, dessa sensação de ser pego de surpresa.
Durante o espetáculo descobri que ele estava dividido em três atos que aconteciam entre dois palcos. O primeiro e o terceiro ato aconteciam no palco principal, o da montanha, mas o segundo ato acontecia em… La Casita! E isto é algo muito importante e que precisa ser entendido: La Casita não é uma área VIP! La Casita é um palco!
Esse palco, que tem aproximadamente 13 metros de lado, ou 170 m², representa uma típica casinha do interior de Porto Rico e é uma réplica da casinha que aparece no curta publicado pelo artista poucos dias antes do lançamento do disco:
Na parte interior tem uma sala, decorada de forma simples porém, super bonita, e uma cozinha (convertida em bar para os shows, e com bebidas liberadas para os convidados!). Do lado de fora tem uma varanda e uma “marquesina”. Marquesina é a palavra que se usa em Porto Rico para uma extensão do teto da casa que serve como garagem para o carro. E foi em lugares como esse que nasceram, nos anos 80, as já clássicas Party´s de Marquesina: Um evento boricua, popularizado nos anos 90, onde as pessoas se reuniam na “marquesina” da casa de algum familiar, vizinho ou amigo, com o objetivo de dançar, cantar, ouvir música, trocar ideia e socializar. Tipo uma dessas festas em casa de bairro na cidade do interior, sabe? Essas festas nas quais você só vai se for da família ou amigo ou vai junto de algum familiar o amigo da casa. Festas nas que você não seria convidado por ser famoso ou por ter milhões de seguidores. Até porque, se você fosse convidado por aquela família do interior, talvez você nem iria. O sentimento que eu tive ali, dentro da casita, foi meio assim mesmo. E isso não me causa estranhamento, já que o show do Bad Bunny é carregado de simbolismos e respeito às tradições e aos vínculos genuínos e verdadeiros.
A casita, aliás, por ser um palco multifacetado, tem vários momentos bem marcantes. Além do momento do show em que Benito convida alguém, famoso ou não, para gritar: “Acho! PR es outra cosa!”, tem a parte em que o astro porto-riquenho sobe no teto da casita para interpretar as suas músicas de reggaeton mais potentes, como Tití me preguntó ou Ella perrea sola. E, como tudo no que este revolucionário artista faz, isso não é por acaso! Ali, no teto, e colado das arquibancadas, ele está mais perto das pessoas que não puderam pagar pelo ingresso de pista mais caro, próximo do palco principal.
Logo na sequência ele volta para a varanda da casa onde dá lugar ao convidado/a especial da noite para, depois, junto dos Pleneros de la Cresta e no meio de uma multitudinária mistura de dançarinos e convidados, interpreta algumas das suas músicas mais populares, encerrando assim o segundo ato.
Uma das coisas que mais me chamou a atenção estando ali em la casita, foi que só ficou lotada na hora que recebeu o segundo ato. Não antes, não depois. Só nessa hora chegaram músicos, dançarinos, equipe do artista e, inclusive, pessoas aleatórias do público que foram convidadas por surpresa para entrar, curtir, surtar, e depois sair. Sair na mesma hora de todos eles e do próprio artista. Na hora que voltam pro palco principal pra aquele momento do show em que você tem somente duas opções: “El que no está bailando se supone que esté cantando. Y el que no está cantando se supone que esté: Bailando!”
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