A Luminate registrou um movimento curioso nas primeiras semanas do ano: a nostalgia de 2016 virou combustível para o streaming nos Estados Unidos. Embalada pelo meme “2026 é o novo 2016”, que circulou nas redes sociais, a tendência levou ouvintes a revisitarem hits que dominaram a Billboard Hot 100 há dez anos.
Segundo dados da própria Luminate, quase todas as músicas do top 10 anual da Billboard em 2016 tiveram picos relevantes de streams sob demanda entre a última semana de 2025 e meados de janeiro de 2026. O fenômeno ajuda a entender como ciclos nostálgicos, impulsionados por redes sociais, conseguem mexer rapidamente nos números de consumo digital.
Na prática, o que parecia apenas uma brincadeira online virou um movimento mensurável, com altas semana a semana que chegaram a dois dígitos e, em alguns casos, passaram de 200%.
Top 10 de 2016 volta a crescer no streaming
O levantamento da Luminate analisou os streams semanais sob demanda nos Estados Unidos das faixas que fecharam 2016 entre as dez mais tocadas da Billboard. O gráfico mostra uma linha relativamente estável entre outubro e dezembro de 2025, seguida de um salto visível em janeiro de 2026.
Entre os maiores crescimentos semana a semana, destaque para “Panda”, de Desiigner, que registrou aumento de 68,6% da última semana de dezembro para a terceira semana de janeiro. “Don’t Let Me Down”, do Major Lazer, subiu 35,6%, enquanto “Closer”, do The Chainsmokers, avançou 42% no mesmo intervalo.
Curiosamente, os aumentos mais intensos se concentraram em artistas muito associados ao “som de 2016”, especialmente ligados ao EDM e ao rap da era SoundCloud. Já nomes como Rihanna, Drake e Justin Bieber, que seguiram dominando o mercado na década seguinte, tiveram altas mais moderadas.
Esse contraste sugere que a nostalgia funciona de forma diferente para artistas que tiveram um pico muito concentrado naquele período. Quando o público revisita uma fase específica da cultura pop, tende a buscar sons que simbolizam claramente aquele momento.
Meio da lista também sente o impacto
O efeito não ficou restrito ao top 10. Ao longo da lista da Hot 100 de 2016, outros artistas do meio da década passada também registraram saltos relevantes.
“I Took a Pill in Ibiza”, de Mike Posner, subiu 51,6%. “Let Me Love You”, de DJ Snake, avançou 37,4%. Já “Broccoli”, de DRAM, teve alta de 49,3% semana a semana. Em todos os casos, os percentuais superaram o desempenho de artistas que seguem com forte presença no mercado atual.
O dado ajuda a entender como a memória coletiva digital funciona. Ao contrário de décadas anteriores, em que o consumo nostálgico dependia de rádio ou reedições físicas, hoje basta um meme viral para reativar catálogos inteiros nas plataformas.
Para o mercado, isso significa que o catálogo continua sendo um ativo estratégico. Um movimento espontâneo pode gerar, em poucos dias, milhões de reproduções adicionais sem que haja um relançamento formal ou campanha estruturada.
Fetty Wap é o maior beneficiado

Se houve um nome que se destacou nesse ciclo de nostalgia, foi Fetty Wap. O rapper de Nova Jersey, que emplacou vários top 10 entre 2015 e 2016 e depois perdeu espaço no mainstream, viu suas duas maiores faixas dispararem.
Segundo a Luminate, “679” e “Trap Queen” registraram aumentos superiores a 200% nos streams sob demanda nos Estados Unidos no mesmo período em que os outros hits de 2016 voltaram a subir.
O movimento coincidiu com a liberação antecipada do artista após cumprir parte de uma pena federal por acusações relacionadas a drogas. A combinação entre o noticiário envolvendo o nome do rapper e a onda nostálgica criou um efeito duplo nos números.
Embora o pico já esteja diminuindo para a maioria dos artistas que se beneficiaram da tendência, o episódio indica que ciclos de nostalgia dos anos 2010 podem se tornar recorrentes. Se 2026 virou o novo 2016, é possível que, no próximo ano, a internet resolva revisitar 2017.
Para a indústria, fica claro que na era do streaming, o passado nunca fica realmente para trás. Ele pode voltar ao topo da curva a qualquer momento.
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