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MC Lan atravessa o próprio eclipse para se encontrar em sua fase mais íntima no álbum “V3NOM Vol. 1”

Durante anos, MC Lan foi sinônimo de ousadia dentro do funk. Um artista que atravessou fronteiras, chegou ao Top 10 do Spotify Brasil, colaborou com nomes internacionais e dividiu palco e estúdio com estrelas da música pop global. Mas por trás da estética expansiva, do humor ácido e do impacto comercial, existia um silêncio. Um […]

MC Lan

Durante anos, MC Lan foi sinônimo de ousadia dentro do funk. Um artista que atravessou fronteiras, chegou ao Top 10 do Spotify Brasil, colaborou com nomes internacionais e dividiu palco e estúdio com estrelas da música pop global.

Mas por trás da estética expansiva, do humor ácido e do impacto comercial, existia um silêncio. Um território interno ainda não explorado artisticamente. É esse espaço oculto que agora vem à tona em V3NOM, Volume 1 – Eclipse, projeto que marca não apenas uma mudança de sonoridade, mas uma ruptura profunda de identidade.

O novo trabalho, que chega ao público no dia 12 de dezembro, não nasce como um desvio estratégico de mercado. Ele nasce como necessidade. Depois de anos correspondendo a expectativas externas, Lan escolheu enfrentar aquilo que sempre carregou, mas que nunca havia mostrado. “Esse disco me fez encontrar quem eu realmente sou”, afirma ao TMDQA!. E talvez essa seja a frase mais importante de toda a sua trajetória.

O eclipse como revelação

Se antes sua imagem pública estava ligada ao funk, à irreverência e à potência da pista, agora ela se reconstrói em um território instável, denso e espiritual. O rock — em suas vertentes mais viscerais, como o metal, o nu metal e o psicodélico — passa a ser o eixo central de uma obra que se propõe como estudo interior. Um álbum que não busca agradar, mas compreender.

O título do projeto não é metáfora vazia. “V3NOM” representa aquilo que sempre esteve guardado: o instinto, o lado bruto. Já “Eclipse” simboliza o momento em que essa sombra encontra a luz. Não como negação do passado, mas como enfrentamento direto dele. É a exposição do que estava submerso.

V3NOM nasceu de um processo interno, um outro lado artístico presente em mim, mas que não consigo mostrar nos meus trabalhos como MC Lan. O primeiro disco dessa trilogia, focado no rock experimental, se chama Eclipse por isso, para dar luz ao meu lado submerso. Esse disco fez encontrar o meu verdadeiro eu, e por isso houve tanto atraso no lançamento”, explica.

Lan constrói esse disco como quem atravessa um rito. Cada faixa nasce de sentimentos específicos: dúvida, identidade, propósito, memórias sem nome. O processo criativo, segundo ele, foi intuitivo e quase ritualístico. Misturou rock, metal e elementos espirituais não como estética de choque, mas como linguagem possível para expressar o que não cabia mais no formato anterior.

É nesse ponto que o artista deixa de ser apenas intérprete e passa a ser, sobretudo, sujeito da própria narrativa. “O V3NOM do meu disco vem de veneno. Somos todos uma espécie de serpente, que pode parecer inofensivo, mas carrega um veneno interno. E o disco tem um pouco disso, porque quando você olha para o MC Lan não imagina essa outra persona”, acrescenta.

A nova face de MC Lan

Sua história é pública. Em 2017, “Rabetão” o levou ao topo das plataformas. Em 2019, as colaborações com nomes nacionais e internacionais ampliaram ainda mais seu alcance. Em 2020, a indicação ao Grammy Latino por “Rave de Favela”, ao lado de Anitta, consolidou seu nome entre os artistas de maior projeção daquele período. Ainda naquele ano, lançou Bipolar, álbum que reuniu Skrillex, Ty Dolla Sign, Desiigner e outros nomes da cena global.

Tudo parecia apontar para uma progressão previsível de sucesso. Mas foi justamente nesse ponto que surgiu o desconforto. “Eu nunca tinha sido eu mesmo na minha arte”, revela. O novo projeto nasce como terapia, como espelho e como ruptura. Até mesmo o apoio de sua companheira foi fundamental no processo de coragem para assumir essa virada.

“O processo desse disco foi intenso. Eu nunca tinha sido eu mesmo na minha arte. Esse novo projeto se tornou uma terapia e eu me encontrei a partir dele. Outro dia, com o MC Fioti no estúdio, ele viu como me encontrei no rock e como V3NOM se tornou um estudo sobre eu mesmo.”

Identidade em conflito

Há também um enfrentamento simbólico nesse disco: o estereótipo do funkeiro como artista sem bagagem musical. MC Lan não reage com discurso, mas responde com a sua nova obra. Ao afirmar que a musicalidade da periferia é fruto de estudo, sensibilidade e técnica, ele desloca o debate do lugar da caricatura para o campo da criação legítima.

“Eu quero mostrar que o artista periférico é musical, mas gente faz funk porque gostamos do ritmo. Um dia as pessoas vão entender a musicalidade do funk, porque a gente estuda muito pra fazer um funk, muito mais do que artistas de outros gêneros”, defende.

As pequenas pinceladas de funk que surgem no disco não são estratégia de transição suave. São marcas de identidade. Rastros de quem ele foi atravessando quem ele está se tornando.

Nada na minha carreira foi planejado e cantar o funk surgiu a partir de uma oportunidade. Eu tinha algumas referências diferentes na época, mas não sabia como expor isso, porque o cenário era outro. Eu sempre quis que minha música soasse como a do Mutantes, sabe?”, acrescenta.

V3NOM em três atos

V3NOM, Vol. 1 – Eclipse é apenas o primeiro capítulo de uma trilogia pensada como um “livro musical”. Mais de 80 músicas já foram criadas para esse percurso. O próximo volume deve se aprofundar nas raízes brasileiras e africanas. O último, segundo Lan, será ainda mais conceitual. Não se trata de uma mudança pontual, mas de uma jornada longa, consciente e arriscada.

As colaborações do projeto também reforçam esse atravessamento de mundos. Estão presentes artistas como John Dolmayan, do System of a Down, Ra Diaz, do KoRn, além de Bladee, Pink Siifu, Twisco e do brasileiro Criolo. As escolhas não obedecem lógica de mercado, mas de afinidade artística e verdade criativa.

Lan admite que não sabe exatamente o que colherá deste disco. A única certeza é a de que não poderia mais continuar sendo quem era apenas por expectativa externa. Ele cita a própria história recente da música pop como prova de que mudanças radicais não são exceção, mas parte do fluxo natural da arte.

“O V3NOM vai ser servir como um estímulo para outros artistas do funk que ainda tem insegurança de mostrar o verdadeiro eu e sair dessas regras das plataformas de streaming. Uma vez conversando com o Mr. Catra, ele me disse que lamentava muito não conseguir ter lançado mais músicas de rock e me incentivou a expor esse lado artístico. Então, eu segui esse conselho dele.”

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